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Um dia poetizei minha insanidade sentimental. Estranhei o fato de me olhar no espelho e encontrar o silêncio. Eu tive uma formação na alma totalmente regada aos princípios da sobrevivência.

Mas esta estadia era apenas um presságio… O imaginário do meu coração ganhava tanta força que não tive mais controle. Fui vencido e, da derrota, regozijei das entranhas do meu pensamento, entrei em contato com o belo e o inútil. Eu gritava de uma forma diferente, tudo que nascia de mim era abominavelmente esplêndido. Finalmente eu reconheci as palavras. Hoje, admito: escrevo para não morrer.

Diante disso, eu sou a Mentira! Fugi da verdade… Preferi sofrer calado. Talvez possam encontrar, nas profundezas de meu silêncio, uma santidade. Por aí, sou um misto de tudo. De coragem e covardia, o ápice é fugir! Dizem que eu nasci em uma sociedade bestial, na qual a lei é para o humilde, que age com o coração. Da multidão eu sou… Busco informações, mesmo tendo noção de que somos controlados pela besta das comunicações.2012-12-16_13-23-09_402

A falsidade é o lema! Minha imagem refletida no espelho diz: “Enquanto estás deste lado, eu convivo com a hipocrisia da bondade…”.

Eu rebato: “E daí? Aqui, eu sou um número sem nome!”.

Eu sou…

Carlos Monteiro é historiador, poeta e escritor. Nascido em São Paulo/SP, nunca se limitou a rótulos ou formações. Lecionou, atuou, dirigiu, escreveu e, certamente, sempre escreverá. Mantêm um blog regozijodoamor.wordpress.com onde poemas, crônicas e reflexões se mesclam em uma literatura indefinível.