A colheita


Escrito por: Luiz F. Nascimento

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As palavras antes proferidas, agora já não servem de nada. Sua imortalidade foi colocada à prova, quando tudo o que se fazia era ignora-las. Sua doçura jazia perdida em algum lugar do passado. Lá estavam elas: ao lado de todos os belos momentos, mortas, rendidas à necessidade de seguir em frente, presas na negação, esmagadas pela nova rotina, subordinadas ao coração. Enterradas sobre a terra ainda infértil, esperavam renascer do subsolo. Regadas pelas lágrimas da saudade, renasceram em grandes frutos e flores: os mais belos e peculiares produtos do amor. Seus galhos penetravam a mente e furavam o coração; seus ramos vazavam pelo peito na tentativa de serem vistos. Já não podiam negar sua existência. Tudo o que lhes restava era fazer a colheita.

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