Vingança de um amor – Marcas em seu corpo


Escrito por: Sophia Saggezza 

Capítulo Anterior – Vingança de um amor

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Domingo 12/02/2009

Era numa noite clara quando resolvi fazer minha saída pelas ruas mais vazias, três vezes por semana me encontrava em um determinado local para repelir os maus pensamentos que predominavam minha cabeça até que em uma noite em especial apareceu um homem notei que me observava então esperei ele sair, mas passou horas e ele permanecia lá sentado escondido pensando que eu não tivesse visto decidir cantar mesmo com aquele homem lá, porém quando ele virou vi seu rosto e o reconheci no mesmo instante, finalmente ele estava onde eu queria o perseguir durando duas semanas para saber sua rotina, meu coração saltou de alegria e sem que ele percebesse coloquei uma pequena bomba de sonífero no local em que me encontrava e me escondi, ele era tão inepto que foi até onde eu havia cantado a bomba estourou ele adormeceu na mesma hora, fui ao seu encontro o carreguei e o levei até minha casa.

Chegando o amarrei deixando pendurado, cobrir uma pequena janela que continha naquele quarto para não entrar luz, não tinha onde deixá-lo então o acomodei em meu antigo estúdio. Tudo estava pronto e indo de acordo com o plano e depois de organizar tudo fui dormir.

Segunda – feira 13/02/2009

Montei um cronograma para essa semana só precisava cumprir com tudo, então fui ver meu prisioneiro, coitado ele estava acabado como se não tivesse dormido muito bem.

Quando entrei no quarto ele me pareceu surpreso me aproximei para senti-lo um pouco, fazia muito tempo que não o tocava e hoje seria a nossa noite, uma noite a qual ele nunca esqueceria. Afinal seria sua ultima noite de paz.

Quinta – feira 16/02/2009

            Já estava amanhecendo e eu nem havia dormido estava com os olhos inchados como se tivesse chorado a noite toda, dominado pela minha cólera tentei ser forte.

Ao adentrar no quarto ela começou a montar uma cena.

– O que vai fazer agora?

– Logo verás não se preocupe.

– Quer saber. Eu disse impaciente. Não importa mais se quer me matar, mate acabe logo com isso.

– E que graça teria em te matar de uma vez, antes quero ver seu martírio, suas lágrimas até não agüentar mais.

– E o que te faz pensar que eu agüente.

– Eu digo quando não agüentar.

Eu não podia acreditar que ela poderia ser aquela menina inocente do passado, ela era apenas uma criança. Mas aquela canção eu me lembrava muito bem, havia sido sua primeira composição.

Preso agora me encontrava de pé no alto. Então disse com deboche.

– Nossa vai me enforcar como és criativa. Ela vendou meus olhos e chutou a cadeira deixando-me pendurado. Tirou minhas roupas eu não sabia o que aconteceria e a corda me apertava cada vez mais.

Sentir algo gelado em minha perna.

– O que é isso, o que está fazendo? Ela não me respondia. Quando inesperadamente senti algo pungir todo seu corpo.

– Você já fez coisas piores. Dizia eu que na mesma hora percebi pegando em minha mão que aos poucos o beijava.

– Até que isso é bom. Mas o que ela queria era minha distração, havia colocado nas pernas e braços agulhas e na palma dos pés pequenas lanças. Ela cortou a corda que me sufocava.

Quando cai no chão, aquelas lanças adentraram fundo de uma vez.

– O que é isso? Perguntei atônito.

– Só quis te fazer uma surpresa. Respondia com um tom malicioso.

Eu tirei as vendas e a vi em minha dianteira que em um só golpe fez meu osso da perna sair junto com a lança.

Nesse momento eu me encontrava no chão, não suportava o desespero de vê meu osso fora na carne, no entanto ela agarrou esse mesmo osso puxando para fora dizendo em meu ouvido.

– E agora fui criativa o suficiente? Deu um beijo em minha orelha, levantou-se e saiu me deixando completamente alanceado. Aos poucos ia tirando todas as agulhas encravadas em na pele, respirei fundo e tentei extrair aquelas duas lança. Rasguei minha roupa que se encontrava jogada ao meu lado e fiz uma tala. Não adiantava muito, mas amenizava a dor.

Anoiteceu e estava tudo calmo, até demais… Eu não conseguia acalmar-me o medo de algo inesperado era imenso.

A porta abre e ela não falou uma palavra sequer, apenas entrou jogou o jantar e um copo d’água.

– Eu não consigo comer sozinho, estou com muita dor. Falei como pedido de ajuda. Ela deu a comida em minha boca o mais rápido possível e ao tomar a água sentir queimá-lo.

– O que é isso?

– Eu devo ter misturado um pouco de ácido sem querer. Levantou-se enquanto eu fiquei sentindo tudo sendo corroído por dentro.

– Dei-me água, por favor. Gritava para ela, até que ela entrou e me deu água com um remédio.

– Por que cuida de minhas feridas depois que as comete? Perguntei curioso

– Não quero te ver morto ainda, só quero fazê-lo sofrer.

Ficamos nos olhando por um tempo, limpou minhas feridas, trocou os curativos, pôs uma tala em minha perna e deitou-me para eu poder dormir.

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Com as feridas que ele tinha morreria logo não poderia deixá-lo morrer assim, seria muito fácil.

Estava disposta a cuidar dele só para vê-lo da forma que eu quero acabar com sua vida da maneira que havia planejado.

Eu não conseguia dormir pensei por muito tempo como ele poderia ter dito meu nome, há anos não me encontrava nem sabia que estava viva, fiz questão de inventar uma história trágica de minha morte. Não entendo.

No meio da noite sem que ele acordasse entrei em meu estúdio, revirei algumas coisas que continha, mas nada poderia ter feito ele me reconhecer, aproximei dele o observei dormi parecia calmo mesmo depois de tudo que o fiz passar se não tomasse cuidado ele ainda poderia me matar.

Choveu muito naquela noite, o vento estava forte e sem que a mulher percebesse abriu caminho para a luz passar sobre a janela e logo que amanheceu o quarto estava iluminado com os raios de sol.

Sexta – feira 17/02/2009

Ao abrir os olhos me surpreendi, pela primeira vez estava conseguindo ver com clareza todo recinto, paredes pretas com estofado, em frente havia uma mesinha com vários papéis e alguns instrumentos ao longe, era enorme aquele lugar, mas não parecia ser um cativeiro.

Apesar de tudo eu não estava abalado, na verdade soltava suspiro de alivio por tudo está acabando, ela não poderia me manter vivo assim por muito tempo, meu corpo estava aniquilado mesmo com os cuidados que ela fazia.

Minha única preocupação era o que viria em seguida, estava muito calmo um silencio amedrontador.

– Ela deve ter saído, pensei comigo. Aproveitei sua ausência e me rastejei até a mesinha lá continha seus rascunhos de músicas.

– Nossa! Ela realmente é uma grande compositora melhorou muito nesses anos, tem um brilhante futuro admiti depois de ler algumas.

A tarde ela havia chegado entrou no quarto e percebi seu espanto por ver o quarto iluminado tentou disfarçar, mas eu não parava de admirá-la.

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Sai logo cedo precisava fazer umas encomendas, não demorei muito tinha um receio de deixar meu prisioneiro só quando entrei no quarto, ele tinha uma expressão de satisfação a janela estava descoberta, mas não adiantava mais cobri-la.

Ele me encarava o tempo todo, a cada passo que dava era horrível.

– Boa tarde demorou a aparecer. Ele me disse querendo conversar comigo.

– O que você quer? Fale logo, pois não tenho o dia inteiro. Respondi tentando evitar o contato visual.

– Quero que me conte o porquê estou aqui? Eu não te fiz nada.

Nessa hora eu me alterei, virei para ele quase o agredindo.

– Não me fez nada? Você tem certeza disso? Volte seis anos de sua memória.

Ele me pareceu surpreso e abaixou a cabeça como sinal de vergonha.

– Agora olhe para mim, olhe nos meus olhos e diga que não se lembra. Dizia a ele aos berros.

Ele não abria a boca, não esboçou uma palavra não o compreendi, sua reação me surpreendeu, pessoas como ele se sentem orgulhosas pelos seus atos, mas eu não suportava ficar nem mais um segundo no mesmo ambiente que ele então sai.

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Quando ela saiu do quarto como chorava, agora já não tinha duvidas ela era aquela pobre menina que não teve culpa de nada, mas que a fiz passar por tudo aquilo. Aquelas marcas em seu corpo era por minha culpa eu pensava que estava morta, poderia ter a ajudado todos esses anos como uma forma de desculpas, mas agora eu seria muito hipócrita se fizesse isso, mas queria que ela soubesse o quanto eu sinto por aquilo.

Eu passei o resto do dia deitado com lagrimas nos olhos sem ter expectativas de nada, ela havia conseguido matar meu interior, meu corpo era apenas algo que em breve apodreceria.

  Sábado 18/02/2009

Estava mais calma e pronta para prosseguir, ontem com a conversa mudei meus planos e hoje pretendia fazer um joguinho com ele, seria bem divertido não tinha dormido direito e fiquei mal morada qualquer coisa que poderia pensar em fazer já acabaria com a vida daquele miserável.

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Ela havia entrado cedo no quarto eu estava deitado e assim permaneci, não queria fazer nada, seja lá o que ela pretendia e não me importava mais.

– O que será desta vez? Perguntei a ela.

– Hoje vamos jogar. Ela dizia com a voz calma e um sorriso no rosto até estranhei, mas hesitei em perguntar algo, ela me pôs em uma cadeira me amarrou e o jogo começou.

– Quais são as regras?

– Simples, eu pergunto e você responde se mentir e arranco algo de você depois pode fazer uma pergunta.

– E se você mentir?

– Não sou eu que quero permanecer viva não tenho o porquê mentir.

– Ok, vamos acabar logo com isso.

– Você se arrepende do que fez?

– Sim, respondi a ela com toda sinceridade afinal era o que queria logo em seguida eu perguntei.

– Porque mentiu sobre sua morte?

– Não o queria por perto e precisava de tempo para preparar minha vingança.

– Mas você não tem mais raiva de mim. Disse a ela.

– Como ousa dizer isso, o que fez é imperdoável. Por que fez isso? Por quê? Nesse momento ela havia se alterado, mas tentava se controlar ao máximo, eu não respondia não me lembrava então ela começou a me bater.

– Vamos fale, não seja um covarde agora.

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Percebi que ele não queria tocar no assunto eu que havia passado por tudo e ele que tinha o trauma, fiquei por horas tentando tirar algo dele, precisava saber o porquê daquilo, mas vi que era inútil então fui embora estava ficando descontrolada e melhor seria eu ficar só.

Sabia que se ele quisesse contar não seria falando, usaria outros meios de tirar esses pensamentos, eu me expresso cantando e ele com o único meio que lhe restou, a escrita.

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Antes de sair ela havia me soltado então me aproximei da mesinha peguei aqueles papéis e comecei a escrever uma missiva.

Meu nome hoje não importa, afinal estarei morto em breve.

Quero apenas dizer a quem estiver lendo esta carta que não chores por mim, nem culpe o individuo que cometeu esse ato, apenas saiba que não teve culpa.

Fiquei uma semana preso e torturado, escrevo com muita dificuldade para anunciar que mereço tudo.

A única coisa que ela fez foi vingar-se por um ato que cometi há muito tempo atrás.

Eu a usei e a menosprezei foi humilhada a todos, mas meu maior crime foi enganá-la nunca houve um amor sincero de mim e tirei o que ela tinha de mais valioso, sua pureza. Enquanto dizia que a amava, em nenhum momento  demonstrei isso, quando ela completou 14 anos passou a me temer e fugiu de casa no inicio a procurei, mas depois veio uma noticia aparentemente inventada por ela que havia sofrido um acidente no transito e morreu na hora. Depois de alguns anos me arrependi profundamente de ter feito mal á aquela menina, como fazia falta nunca imaginei que sofreria por não tê-la afinal nunca a amei em nenhum sentido foi apenas um jogo de interesse.

Meu maior erro foi este, ela estava só, sofrendo e se flagelando por minha causa.

Evidente que nesse tempo ela engendrava essa vingança.

Não sei como morrerei e não sei se quero saber, sua dor deve ter sido em demasia por fazer o que fez, a reconheci há pouco tempo poderia dizer seu nome, mas como me mantive oculto por pura vergonha de meus atos, eu confesso, não quero que ela seja revelada.

Termino minhas palavras com uma única frase que admito nunca pensei em dizer com tanta sinceridade neste momento.

A única vez em que percebi que amei com genuinidade aquela pequena menina, foi no momento em que ela me acertou. E falecerei amando aquele ser que causou minha morte.

Agora só me resta pedir perdão.” 

Após escrever amassei e joguei o papel longe que ficou embaixo da mesinha, não tinha mais o que fazer nem o que pensar entrei numa depressão que só Hamlet entenderia.


dark_woman_eyes-1920x1200Na próxima semana 08/05/2014, tem a parte final desta saga!

Vingança de um amor – Eu te perdoo.

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