Esperança na Vida


Escrito por: Carlos Monteiro

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Um barulho forte lá fora…

Deve ter sido um raio, querendo eliminar os fios das minhas lembrança. Agora vou dormir. Expandindo a aniquilação da criação. Minha última imagem é sua imagem! Ao amanhecer, quero – te encontrar, ao vê-la, sorrir… Finalmente poderemos nos amar…

 

 

Estava chovendo bastante. As gotas da chuva eram grossas e pesadas, seus estardalhaços soavam em meus ouvidos a dor do céu. Naquela noite, permaneceria sozinho…

Engraçado fazia um tempo que eu convivia com a solidão. Na escuridão das minhas lacunas, percebi que meu interior era oco. Eu me via em becos que magoavam.

— Merda! Está chuva não passa…

Minhas noites eram nostálgicas, por viver de lembranças, sim, eu acredito tanto nas lembranças, que elas germinam dentro de mim uma Esperança. Esperanças que todos os ensejos passados pudessem voltar, e afugentar o fogo que domina meu estado físico.

Uma fagulha passa em minha mente, trazendo a tona, aquela mulher.

— Eu te amo. Onde estiver…

Nas minhas noitadas eu te encontrei, foi tão passageiro, tão simples, tão forte, tão complexo, que durante a madrugada, tinha uma mulher dentro da minha cabeça, sorrindo, suavizando minhas angústias. O que foi isso? Um Amor? Como eu queria que tudo tivesse dado certo.

— Ah, como eu sofro sem ti.

Dos meus sonhos você saiu… Sendo ilustrações de pesadelos…

 Ao acordar, só existia o nada.

Habitei no misto amargo da felicidade com a infelicidade, devido a tantas mentiras contadas e vividas, mas eu tenho saudades de tudo isso. Ali eu vivi tantas emoções, tantas descobertas, inclusive a ternura de viver. Um prazer da grandeza de seu sorriso.

Eu era sozinho, sua pessoa era sozinha, juntos criamos o único.

A constância de usufruir o seu sentimento mais bonito, gerou uma corrente fortíssima de sangue, que deságua em meus pés, toda vez que me lembro de ti. Não sei, e sei, porque me abandonaste? Sua voz perpetuou para sempre vou – te amar. Mesmo indo para além do mar, me afogo em seus delírios. Sofro de ausência! Quando olho no espelho, vejo apatia, e o que faço depois? Quebro em vários pedaços o espelho, quero que algo seja igual meu coração…

Você ficou doente. Muito doente. Fácil ser vencido pela doença. O seu leito era o número 48. Sua cama estava com lençóis brancos, ao lado uma cabeceira, com um arranjo de rosas laranja. Até hoje não sei por que gostava de rosas laranja! Sua simetria era plausível de ver. Naquele dia, a morte seria um jeito. Foi quando seu brilho morreu, criando o soturno de meu coração.

Um barulho forte lá fora, deve ter sido um raio, querendo eliminar os fios de lembrança de minha memória. Agora vou dormir. Expandindo a aniquilação da criação. Minha última imagem é sua imagem! Ao amanhecer, quero – te encontrar, ao vê-la, sorrir… Finalmente poderemos nos amar…

 — Eu te amo!

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