Mascaras de Porcelana – (Capítulo 01) – Nova Era


Escrito por: Carlos Monteiro / Ilustrado por:  Toni le Fou

tar

 

Mascaras de Porcelana

Série Book

 

Personagens deste capítulo

Pastor Juan Mathias

Menino – Rebelde

Mocinha Imperial

Rapaz Real

 

 

Sinopse da Cena:

 

Dia qualquer de 1990.

Era noite em um bairro pobre de São Paulo (Jardim Universo). Localizado na Zona Sul. Nesta região, o anoitecer era calculado da seguinte maneira, a cada sete noites seguidas andando por ela, possivelmente umas duas ocorreriam assaltos. Os criminosos não perdoavam ninguém. Viviam controlando a comunidade e adotavam leis – como a do silêncio. Depois das 20h, todos deviam estar dentro de casa, pela lei do homem, quem descumprisse, poderia sofrer as consequências. Felizmente, existia alguns locais, que através de autorização prévia dos marginais, poderiam abrir duas vezes por semana fora do horário. Um dos ambientes era uma Igreja. Conhecida como congregação AEON.

 

Mascaras de Porcelana

Capítulo 01  

Nova Era

 

Na noite esquecida por Deus, pessoas fogem e pessoas lutam pela sua sobrevivência, simplesmente para sustentar a ambição do homem. No Jardim Universo, por volta das 19h45, ocorrem movimentações por uma rua… Avisamos que este ato foi anteriormente autorizado pelas lideranças da região. Naquela noite, todos tinham o mesmo endereço, a Congregação AEON, do Pastor Juan Mathias.

A obra foi construída a muito custo, e quando salientamos custo, definimos da seguinte maneira: (Dinheiro, vontade, força, coragem, manipulação e ambição). Os fiéis sabiam que o culto era das 20h até as 21h. Inicialmente poucas pessoas frequentavam o recinto, mas com o tempo, já chegavam na média de umas duzentas pessoas por celebração. O culto daquele dia seria comandado pelo Pasto Juan Mathias. Inicialmente, só existia ele, com o tempo, ganhou adeptos, e desenvolveu uma pequena escola no ambiente para criar novos pastores. Antes de iniciar o culto daquela noite, o Pastor recebia visitas que ele mesmo convocava para conversar. Um menino se aproximou do Pastor que estava sentado em sua mesa, para confirmar que na sala ao lado uma moça o esperava.

— Senhor, com licença! — com a cabeça levemente abaixada.

— Sim!

— A moça o aguarda na sala branca.

— Estarei indo, meu rapaz. Obrigado! — em nenhuma momento levantou a cabeça.

Depois de ser informado, seguiu para a sala branca. No tal espaço, cabia apenas duas cadeiras. O ambiente em sua totalidade branca criava um clima de invasão da mente. No instante que abriu a porta a jovem se levantou…

[Pastor Juan Mathias olhando secamente nos olhos molhados da jovem]

(Já ela tinha um olhar tedioso demais, mantém um foco em um local, preferência para frente)

— Tudo bem, Pastor? — começou uma troca de olhares.

Ele manteve sua posição ereta e um olhar desconhecido para uma menina sem esperanças.

Ela persistiu…

— Pastor?

Ele sorriu, mas foi um sorriso sarcástico e silencioso.

— Perdão. Estava falando com Deus, ele me explicava como te cobrar.

Nada se alterou naquela sala.

— Vejo que és a primeira vez que adentra nossa congregação. Porque aceitou meu convite?

— Serei sincera, quem me convidou foi… — Juan Mathias a interrompe. — Não precisa dizer quem foi. Foi um dos meus meninos. Aquele que me chamou agora pouco. Sabia que ele logo vai ministrar um culto aqui conosco?

Ela solta um sorriso pequeno entre os lábios, e confirma com a cabeça que sim.

— Voltando as suas perguntas, qual é a sua preocupação minha filha?

Mais uma vez, tudo se esvazia. Não ouvimos mais nada. Total abandono de corpos e pensamentos…

 

Silêncio que norteia,

Sem ruídos e críticas…

Eu sou sua cabeça, um lugar de lepra e cólera.

Silêncio, quero bênção,

Vou voar contigo…

No silêncio não se sonha,

Chora na terra pisada.

E sobre a jaula do coração

Descobri,

Quando se vive no sofrimento e no amor,

Tudo,

até mesmo o silêncio

Acaba na dor.

 

O Pastor levanta sua voz.

— Não tenha medo de se expressar. Ignore esta coisa mundana, o medo transborda fracassos minha filha.

Após esta fala, que atingiu dentro das ansiedades inferiores da menina, mais uma vez resolveu tomar coragem e contar:

— Amo. Simplesmente o amo. — mesmo não conhecendo a força do amor, ela caminha nesta brasa fina, mas perversa e quente. — Em cada dia, hora, minutos e segundos, sendo uma paixão inocente neste mundo imundo, amo sorrir para ele, odeio soltar lágrimas por causa dele, minha fé é de infância, mas meu amor é para eternidade.

A menina com corpo de mulher perdeu um pouco do controle emocional.

— Temo que isso me leve a lugares que não quero ir. Por favor, Pastor me ajude. Deus me ajude! Não quero mais amar.

O Pastor começa a fechar o semblante. Cada ruga ganha força, riscando todo o rosto daquele homem, inclusive, “olheiras” aparecem…

— Me digas, és o Rapaz daqui?

Ela mexe a cabeça negando a pergunta.

— Não sei se o senhor conhece, é o amigo dele!

Pastor Juan Mathias, sem lucidez alguma, bate com força na mesa, criando um som riscado.

— Eu sei quem és minha filha. Sei da reputação daquele menino.

Um rebelde. E afirmo algo… — apontando o dedo para ela — Você não vai ficar com ele…

Contínua…

 

Anteriormente:

Texto de Apresentação

Vinte e Dois Mandamentos do Tarot

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios