Nem sabemos o seu nome.


Escrito por: Carlos Monteiro

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Nesta madrugada não dormi.

 Chorei muito. Demasiadamente calei o silêncio de tanta agonia. As lágrimas causaram tanta dor aos meus olhos, que ao serem expelidas, saíram mortas. E ao cair pela minha face, machucaram minha beleza.

A dor foi surda por fora, mas gritante por dentro. Minha alma não aguentou mais. O pior, é que eu mereço carregar essa cruz.

No amanhecer, descobri uma frase jogada no chão, estava escrito em um papel amassado. Devo ter sido eu mesma, revoltada com a vida:

 “Ame pela fatalidade de Amar”!

 Tem vezes que a vida é muito cansativa, além de perigosa.

Existem certos momentos que eu prefiro ficar escondida embaixo do cobertor, acreditando que assim, estarei protegida.

 Precisei tomar um banho.

 Meu corpo estava sujo, e a pior sujeira, estava perto do coração, essa era a mais suja.

Quando a água caiu sobre minha cabeça, foi um choque tão forte, que me recordei que meu pai costumava dizer:

 ” A verdade é a melhor invenção do homem, minha filha”

 Até o exato momento, não sei o que és se sentir bem. Porque se a máxima da felicidade és ser feliz, garanto, eu não sou, e tudo parece ser pequeno para mim…

 Depois do banho, fiquei nua…

 Precisava sentir o que era a liberdade da alma.

Ah, este mundo tão carregado de mistérios e segredos, e eu caminhando neste fio condutor sem saber o que será do meu amanhã…

Um dia eu conseguirei preencher o oceano com a minha sabedoria?

Veio a hora do almoço,

 Não tinha fome e nem sede. Não tinha nada. Exilar – se seria uma coisa boa agora.

E eu o fiz. Me tranquei no quarto. Fechei meus olhos e aferrolhei minhas vontades e desejos dentro do meu vazio.

 Quando sai daquele recinto empoeirado já era noite,

 Minha casa habitava sozinha, somente os móveis, somente as lembranças, somente eu. Unicamente EU, tanto que, tudo me pareceu desusado.

Fui para a mesa, tinha contas, papéis, fotos, pratos inteiros, copos quebrados, e eu ali, despedaçada. Havia um livro, abri no meio, e veio a seguinte sentença:

” Logo amo, talvez, você exista, amor”!

 Fechei aquela porcaria.

Novamente não estava com fome.

Fui para a varanda, olhei a noite, tão escura, tão sozinha, tão perdida. Comecei a chorar novamente…

 ” Lua, eu sou muito fraca, sou uma inutilidade total. Não tenho amor por mim mesma. Eu não sirvo mais para isso…”

Chegou a últimas horas de vida…

 Um dia acreditei que a tristeza pudesse ser usurpada pelo breve instante de felicidade, mas errei feio. Minha alma nunca foi resgatada. Fui abandonada por todos aqueles…

Hoje e neste instante eu me abandono…

 Houve – se um barulho no meio daquele silêncio.

Muitas vozes se perdem naquela casa, muitos derrubam seus desesperos.

Acabou-se aquela história.

E o pior…

 Nem sabemos o seu nome.

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