Monologo: O escritor! – Rubem Fonseca!


Escrito por: Carlos Monteiro

feliz ano novo livro

Este Monologo, é uma adaptação de um dos contos deste brilhante livro, lançado em 1975!

O trabalho selecionado foi Corações Solitários…

Espero que gostem!

 

Sinopse:

 1970, Brasil – Ditadura Militar. Presidente Emílio Garrastazu Médici dando continuidade no governo anterior, tem como missão acabar com os movimentos guerrilheiros e subversivos existentes no Brasil. Em sua gestão, acontece no setor econômico o famoso “milagre Brasileiro”.

Rubem Fonseca, um contista do primeiro time de escritores no país. Se prepara para mais uma mesa redonda, sobre o tema:” Escrever é uma forma subversiva de esconder-se em si mesmo”. Mas antes do evento, esta em uma sala esperando ser chamado. Diante da espera, trava um monologo contra – si e para – si!

ruben

 Época:

Brasil, 1970. 

Local:

Uma sala.

Personagem:

Rubem Fonseca

Primeiro Ato

[Rubem Fonseca esta sentado em um sofá, esperando ser chamado para a mesa redonda] (Inicialmente mostra um tédio, seu olhar é parado e centralizado para frente)

 

Cena I

[Rubem Fonseca sentado e estático olhando para um ponto único]

(Seu olhar é tedioso demais, mantém um foco em um local, preferência para frente)

Rubem Fonseca

(Mantém-se neutro, o silêncio impera, focado)

Cena II

[Rubem Fonseca, quebra a rotina e o silêncio com caretas]

(Utilize inicialmente um coceira no nariz, indo para toda a face, terminando em um tique)

Rubem Fonseca

(Usando toda sua expressividade facial, deixando expor um brilho nos seus olhos) 

Cena III

[Rubem Fonseca cansado com a monotonia, levanta-se, tem a ideia de passar seu texto, aliás, ensaiar seu discurso]

(Rubem Fonseca, levanta bruscamente, passando o seu texto)

Rubem Fonseca

Que demora! (mostra impaciência)

[anda em círculos e dum lado para outro, até que para e começa a monologar]

Já sei, vou passar meu texto, melhor, ver os seus pontos cruciais. [pega do bolso da blusa um caderno com uma caneta]

O tema da mesa redonda é… ” Escrever é uma forma subversiva de esconder-se em si mesmo” (Estranhamento)

[Esboça uma alegria na face]

(Palavras contagiantes)       

— Em plena ditadura e opressão, eu venho participar de algo tão mensurável.

[Ao finalizar a frase deixa cair o caderno, em seguida, pega o mesmo, dando um passo para frente]

(Entonação de voz firme)

Muito bem, muito bem! (Aponta para cima), estão – me ouvindo aí, em cima?

(Abaixa os braços, folheia o caderno, e reinicia a fala)

Posso começar com esta frase! (Olha para o horizonte) [Simula um microfone nas mãos] — Basta! Basta! Fazer o leitor ver, é criar uma simbiose interna, para que assim, ele possa entender… Isso.

[guarda o caderno] (Discurso brando)

Para ser um poeta, devemos transformar nossas crianças em neuróticas.

(face de mistérios e olhares sinuosos)

[Vai para atrás do sofá]

[Música antecede a cena, Good Bye Lenin – Yann Tiersen]

 

Segundo Ato

 [Rubem Fonseca atrás do sofá, inicia a cena com o aparecimento da mão, e usando a batida da música seu corpo e fala se expressam minuciosamente, até completar a cena de joelhos e cabeça baixa]

(Falas com várias entonações, misturando o baixo e o alto, o alegre e o triste, o louco e o são)

Rubem Fonseca

— (Voz grossa) Feliz Ano Novo! (Voz Sofrida) — Escrever é uma forma de esquizofrenia! Escrever é uma forma de loucura!

[Olhando para frente]

(Voz firme)

Basta! Basta![olhares perdidos]

Todo escritor aspira santidade, e todo santo é louco! [olhares abertos]

(Voz normal)

— Para ser escritor, precisa ser doido, ser alfabetizado, ser motivado e claro, muito imaginativo.

[da dois passos para um lado] (Voz sofrida)

Nos passeios noturnos, eu encontro o meu ser perdido. Nas agruras deste jovem, não existe o dia dos namorados, não existe o outro, subi 74 degraus para fazer o pedido.

[interrompe com o silêncio brusco, reinicia em seguida]

(Voz de lamentos)

Oh, virgem louca que a música te celebra. Oh, Brasil que não se encontra!

Eu digo, aqui nasce uma fera… Dizendo: nada parece ser o que é…

[A música vai baixando e Rubem se ajoelhando]

(A voz diminui)

Pois, tudo brota de um coração solitário.

FIM

 

Anúncios