Globalização e folclore: um princípio de reflexão.


Colunista convidado: Sr. Kleber

EXU

Cultivar. Parafraseando VYGOTSKI “a essência do desenvolvimento cultural consiste no domínio do ser humano sobre os processos de seu próprio comportamento.” (1995:329).

Sabido que a união entre a técnica, a ciência e a informação dá-nos a possibilidade de habitarmos um mundo plenamente globalizado, tal volúpia faz-nos assumir uma postura, de seres simbólicos, com padrões dinâmicos e móveis. Assim sendo, incansável torna, a busca nossa de cada dia à vivência e à morada em um mundo que corrobore sentido aos nossos anseios, as nossas aspirações e, principalmente, as nossas esperanças. Todavia, sendo a condição social um misto, um híbrido de atividades econômicas, científicas, políticas, culturais, etc, reunidas numa lógica histórica, pretérita e presente, a operacionalidade do mundo através das suas unicidades tecnológicas deixa a esmo a unidade que mobiliza nossas multidões, isto é, a conservação das raízes das nações.

A “ciência do povo”, proposta pelo etnólogo inglês William John Thoms, na célebre carta endereçada ao The Atheneum, de Londres, publicada em seu número 982 aos 22 de agosto de 1846, denominada folclore, do anglo-saxão, protagonizando folk, povo, e, lore, sabedoria, embora esboçada em escala planetária, mantém seu contexto, ainda, incompreendido em seus domínios, e, as vezes, sofre graves deturpações.

SANTOS (2006:82) ao afirmar que “a ação é o próprio do homem porque ele tem objetivo, finalidade” elucida-nos, então, da capacidade de formação e transformação, que atribuímos ou não sentido, à experiência, contudo, essa experiência, reduziu-se apenas ao conhecimento moderno que alimenta, ilumina e guia a existência dos seres humanos a um vácuo incompassível.

Se a lógica da experiência produz diferença, heterogeneidade e pluralidade, e é na educação primeira que encontramos um papel significativo para o desenvolvimento do ser humano, enquanto pessoa, na formação de sua personalidade e na construção de sua cognição, nesses primeiros anos da vida, os responsáveis, a família, a escola e a sociedade em geral, são fóruns privilegiados às crianças, desde a sua mais tenra idade, além de que com este atores, ao compreenderem e se envolverem conscientemente em ações que conheçam, reconheçam e valorizem um encantado acervo de valores expressivo de manifestações que fazem parte do dia a dia do povo, perpetuarão e nutrirão a memória viva das tradições populares, uma relíquia latente, pensada e organizada, mas que deveria ser por natureza enraizada, ou seja, folclore.

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