Sete dias da semana – A saga!


Escrito por: Carlos Monteiro

sete dias da semana 2

Segunda-feira

 Atualmente trabalho no ramo comercial, tenho uma sala ampla com ar condicionado, as paredes da cor camurça, e um espelho no teto, gosto do meu reflexo sendo visto de cima para baixo. O ambiente tem uma mesa com objetos pessoais, um retrato com minha foto e um broche de uma folha seca. Além do computador, tem também um monte de planilhas para preencher. No local, controlo sete subordinados. O ruim é saber que eu também tenho um superior. Mas sou muito feliz com o que faço!

Nessa situação relatada acima, eu convivo em uma monotonia, sempre as mesmas coisas. E aí vem o início de mais uma semana!

Segunda-feira, eu tinha que estar no seu serviço às oito horas da manha. Acordava sempre da mesma forma, relaxando em direção da luz que refletia em minha janela – era orgástica o meu ritual. Eu morava sozinho, meus pais já tinham morrido em um acidente de carro. Dois longos anos já se passaram, nunca superei esta perda, até hoje caminho com muito aperto no coração. Fiz um tratamento psicológico para esquecer esta derrota. Mas por mais que eu queira, tive que apreender a ser solidário com o meu silêncio.

Meu apartamento era bem estruturado e organizado, preferi prédios a casas. Após tomar meu banho, ia para a parte mais agradável do dia, o café da manhã! Minha primeira refeição era recheada de frutas, frios e doces, principalmente um pãozinho de coco, que eu adorava. Logo depois, começava a minha rotina de vestimenta. O estilo é social, gosto de cores alegres em tons pastéis, a gravata na cor berinjela, as camisas têm colarinhos estreitos com ar retro. O sapato sempre era italiano! Depois de tudo, eu estava pronto.

Ia até para a garagem onde estava meu carro, um Ford Fiesta. Comprei há alguns meses. Estava tranquilo enquanto o horário, sempre chegava mais cedo, ajudava a abrir a loja. Entretanto, justamente naquela Segunda – Feira, o carro não funcionou… Não entendia o por quê? Fui perdendo a paciência, a tal ponto que comecei a chutar o meu carro. O porteiro de longe melhor, exatamente da sua guarita notou a cena e perguntou se eu precisava de alguma ajuda! Aceitei imediatamente. Infelizmente dez minutos depois nada foi arrumado. Foi então, que indaguei o porteiro:

— Como é? Vai demorar muito?

O simples empregado olhou para mim, respondendo secamente: — Seu carro hoje não funciona, o motor está fundido!

Sem controle e, esquecendo que ele não tinha culpa, avancei minhas palavras.

— Como assim fundido? Eu não fiz nada. Não posso mais esperar, obrigado pela “não” ajuda.

Terminei minha fala com um olhar obtuso.

O porteiro sem ter onde colocar a sua face, abaixa sua visão.

— Desculpe senhor, só queria ajudar!

Ele levantou-se e voltou para portaria. Eu entrei novamente no carro e tentei sem parar… Cansado e já atrasado, resolvi ir de ônibus. Não era muito longe o ponto coletivo.

Antes de ir parei na portaria. Perguntei para o porteiro, qual ônibus deveria pegar:

— O Senhor tem que parar o ônibus do número 066 Parque Novo Mundo!

Sem agradecer, ou, olhar em minha face, ele se calou…

Chegando ao ponto comecei a esperar e, nada do ônibus. Olhei ao relógio, notei que já estava atrasado. Nunca tinha estado tão atrasado, muito menos chegado! Estranhando a demora e sem alternativa perguntei para uma moça que ali estava.

— O ônibus Parque Novo Mundo demora para passar?

A moça mal olhando em meus olhos diz que este ônibus não passa naquele lugar.

— Como não? — grosseiramente respondi. — O número é 066!

Ela nem deu atenção para mim. Parou repentinamente no ponto um ônibus, e ela subiu.

Já imaginando que o porteiro tinha brincado com minha cara, resolvo voltar para obrigar o síndico a mandá-lo embora!

Foi quando, sem ao mesmo eu perceber parou um ônibus no ponto… Voltei um pouco, vi que era o meu! O66, Parque Novo Mundo. Subi no veículo. Estava quase sem ninguém, apenas uma mulher no fundo! Como era detalhista, percebi coisas estranhas naquele ônibus. O motorista e o cobrador estavam todo de preto e com óculos escuros. Imaginei: — “Belo uniforme, pelo menos não suja tanto”. Os vidros eram espelhados, como não tinha costume de andar de transporte público não achei nada esquisito. Antes de passar a catraca, perguntei ao cobrador o tempo de demora em chegar, o cobrador de cabeça baixa e sem levantar a mesma diz: — “Toda viagem é rápida”.

Aquilo me fez refletir no funcionalismo público.

Independente daquilo superei a catraca, fui para o final do veículo. Quis ficar próximo da única alma viva.

A trajetória continuava sem parar, eu não estava conhecendo os lugares que eu passava. Mas não quis perguntar, deveria ser caminhos diferentes do meu habitual. Comecei a olhar para meu relógio, notei que ele não funcionava, tinha parado. Aquele percurso me incomodava, rua deserta e, pela minha cabeça, já fazia uns trinta minutos que eu estava no ônibus. O engraçado que, de carro mal fazia quinze. Resolvi ir até o motorista, mas ouvi uma voz de seda.

— Aonde vai? É melhor não incomodá-los, eles gostam de fazer o serviço em paz!

Olhei para trás e vi aquela moça. Logo percebi o quanto ela era linda! Imaginei que minha alma entrando em contato com aquele ser, poderia superar tudo, até mesmo uma poesia.

Seu olhar era encantador e penetrante, seu sorriso, um convite à linguagem corporal. Ela era tão sensual, e o pior que ela estava sentada! Naquele momento me questionei: “A ignorância é bela ou a beleza é cega”. Quem era aquele ser? Nunca tinha – me deparado com esta sensação. Faz tempo que não sentia um frio na barriga. Resolvi perguntar algo para ela.

— Bem… — fiquei nervoso e sem força nas palavras. — Posso perguntar algo?

— Claro que pode!

Enfaticamente ela me respondeu.

Assustado em como meus olhos se apaixonavam com as volúpias da carne.

— Vai demorar para chegar ao meu serviço?

Eu nem tinha notado que indagava sem informar o endereço que queria descer.

— Não! A viagem é rápida.

— Esta bem. Respondi rapidamente, voltando a me sentar no meu banco. Meu coração acelerou, minha mão suava. Minha boca secava, olhei para trás tentando puxar assunto.

— Sabe, hoje minha semana não começou bem. E quando inicia assim, vai até domingo. — ela apenas olhava para meus olhos. Diante disso, falei baixinho ­— Que droga, ela quer devorar minha alma.

Ela agiu sorrateiramente.

— Cuidado que se pensar assim, sua vida pode acabar em Sete Dias!

Fiz um sorriso pequeno, para não mostrar minha excitação do momento.

— Mas porque diz isto?

Ela se silenciou, segundos que se passavam, minutos que queriam adentrar no momento, expulsando o que se foram, pronto para estuprar o tempo. O instante me deixava com estímulos de viver, de ser alguém que há muito tempo não era. Meu pensamento foi interrompido pela parada brusca do ônibus.

Naquele momento as portas abriram. A mulher olhou em meus olhos e disse: — Desça! Chegou ao seu lugar.

Justo agora, refleti.

— Foi mesmo rápido.

Sem vergonha ou timidez eu olhava para ela como um leão cobiçando sua presa. Ela cruzou fortemente seus olhos pretos em mim.

— É melhor descer logo, eles estão olhando para você.

A mulher fazia referência ao motorista que nem se movia e o cobrador que continuava de cabeça baixa.

— Sim, mas como posso… — ela me interrompe… — Com o percurso da cachoeira vamos nos encontrar, nem que seja no fim dela, agora saia!

Sem entender muito e incomodado com a imagem dela, eu desci. Pensava apenas que o diálogo que tinha com aquela moça havia sido instigante e estranho. Lembrei-me do seu olhar que não desviava da minha mente.

Olhei e percebi que estava em frente o meu serviço, entrei e vi que não havia chegado atrasado! Bem, como tudo tinha sido estranho apenas continuei minha rotina diária.

Na volta para casa peguei uma carona de um amigo e, desci no prédio onde morava, ao adentrar em minha casa a consciência via apenas ela, tudo, um novo mundo. Mas afinal, quem era ela?

Contínua…

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