Sexo com as palavras


Colunista Convidado: Alex Contente

PALAVRAS

Eu sempre trepo com as palavras, é um amor à primeira vista, um sexo consensual. Trepo com as palavras de uma maneira especial, com um jeito único, com atenção, carinho e respeito, porém sem estuprá-las. Por isso, sou bem aceito, assediado e seduzido por elas. Geralmente trepo com as palavras no primeiro encontro, mas antes de penetrá-las em seu íntimo sintaxe, apenas tento boliná-las. Eu, lírico, teclo cheio de tesão; elas, então, entoam de prazeres…

Trepamos no presente indicativo e no futuro subjuntivo, sem deixar de lado o passado erótico, mais-que-perfeito, fazendo aquelas obscenidades no infinitivo pessoal, arrastando palavras, conjugando verbos, elaborando frases, tirando prazer onde há dor… As palavras não têm medo, pois aguentam tudo, todos os verbos diretos e indiretos, adjetivos, advérbios, sujeitos, plurais, coletivos, substantivos abstratos e concretos, a nomenclatura de síntese, com ou sem os acessórios das orações, e toda a cúpula das figuras de linguagens, suas concordâncias nominais e os pronomes relativos, com morfologia e semântica sempre por trás, ocasionando uma orgia de análise sintática, termos essenciais para uma boa trepação, paradigma flexional da ação – a pontuação…

Trepo também com o que eu escrevo, se acho que não devo usar certas palavras, não gozo, e daí?

E não tem dia, não tem hora pra acabar. Eu trepo de manhã, de tarde e de noite… comendo, ainda, as sempre sábias palavras em sua profunda capacidade de me fazer gemer, sem dor…

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