Visita da Mulher de Preto


Colunista Convidada: Ana Paula Abranches

Morte

Tudo estava calmo, como sempre esteve.

Nada acontecia.

De repente, ouço o telefone tocar, e a notícia que recebo tira-me o chão. Estatelada, vou ao jardim para tentar recobrar o fôlego. O dia estava frio e a névoa tomava conta da paisagem. Em meio à neblina, vi uma singela criatura, vestida de preto. Possuía lindos lábios vermelhos e sua pele era branca como a neve, desprovida de qualquer cor. Seu rosto era extremamente belo e sua silhueta mostrava-se demasiadamente magra. Ela vinha em minha direção com um sorriso irônico.

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Eu estava em prantos, ajoelhada, quando lentamente ela chegou perto de mim, e disse:

– Dessa vez ele se salvou, mas não pense que vai conseguir me evitar por muito tempo. O tempo de vida dele aqui está se esgotando. Você sabe que ele não vai conseguir me enganar porque eu sempre venço, não importa o que ele faça, eu vou levá-lo comigo…

Ela se virou e foi embora, desaparecendo em meio à neblina. Fiquei sem palavras com aquilo, e os pensamentos esvaíram-se de mim. A perplexidade da declaração tomou conta de minha alma, brotando ódio em meu coração. Eu queria destruí-la de qualquer forma, mas seria em vão, porque ela é indestrutível. Implacável, impiedosa…

Sabe quem é?

A morte.

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