Caminhada pelo Infinito


Escrito por: Carlos Monteiro

Somos o que não Somos

Caminhei na estrada do infinito.

Esperava encontrar um brilho perdido, ansiava ver o meu reflexo no espelho vivo. Eu, durante anos de convivência comigo mesmo fechei o meu peito para vida. Perdi a cor da alegria.

Minha vida precisou se levar para o além, onde minha alma vazia não mais se contém.

Amanheci vários dias chorando, tanto que, as lágrimas deste choro estavam tão pesadas que apertavam meus olhos, a ponto que meu corpo físico gemesse por viver por mim mesmo.

Os meus passos se perdiam no fogo da miragem, o cansaço mental extenuava minhas lembranças, movi meu coração para um grito que ressoou nas lacunas das circenses paisagens vividas. O fio das minhas escolhas não mais tece, necessito que o dia acabe logo, por favor, anoitece!

Entendi que virei a perfeição da dor, o caos da tristeza, a face oprimida da ruína galopante. Perdi minha voz, pois castrei minha língua por acreditar que com ela, profetizaria as palavras da ignorância. Encontrei no meu silêncio, a agonia da sabedoria.

Ah! Tantas coisas sendo consumidas pela minha mente, tantas coisas sendo enterradas também. Paraísos infinitos e ardentes expressam minhas emoções em uma linguagem telúrica.

Entrei no meu casulo, expurguei o antigo – eu, um “ser” desesperado. Voltei ao reflexo do espelho, adoro entrar nesta sinfonia, uma imaginação tão excitante, tão orgástica, que pareço um jovem na sua caminhada pelo infinito.

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