Hollywood e o mar de influências


Críticas ao cinema norte-americano, por Caio Gomez.

Hollywood

O que é o cinema? Para os mais leigos, o cinema é uma técnica artística que transporta consigo a habilidade de conceder movimento às imagens. Uma forma apresentável e condecorativa de experiências e emoções que podem ser assistidas, ouvidas e, sim, vividas. Para os cidadãos comuns, para a massa, para as várias camadas sociais, o cinema é sinônimo de entretenimento, de lazer. Ambas as respostas apresentadas na instância anterior estão corretas, e você com certeza deve ter pensado em inúmeros respaldos também. Seja qual for o ponto de vista, seja qual for a versão que eu, que você ou que um profissional da área dê, uma coisa é certa: hoje, o cinema transcende fronteiras. Milhões de espectadores são atraídos todos os anos, desde uma história baseada em fatos reais até o mais aventuroso filme de ficção cientifica, não importa.

Nos dias de hoje, são várias as formas de conseguir manipular os ideais de uma pessoa, tanto no campo direto, quanto no indireto. Este último campo, mais soberbo, pode ser usado como uma arma de grande potência. Uma arma que, se atinge a base, pode trazer todo o conteúdo que fora desenvolvido ao chão. E, se o usuário desta arma massificadora tem fortes influências, o estrago pode ser ainda maior. Esse é o retrato das indústrias de cinema, que, idealizadas pelo capitalismo, buscam métodos de ataque indireto para fazer dinheiro. Uma indústria voraz e sedenta por lucro. Quais são os problemas disto? Quais reflexos isto pode gerar? Inúmeros, se analisado abrangentemente.

A começar pelo indivíduo, que troca seu estado de repouso emocional para protagonizar aquilo que fora construído na tela. A tela, por sua vez, transmitirá centenas de milhares de informações, que, quando codificadas, poderão influenciar o ponto de vista, as opiniões, as crenças, os costumes, enfim… Uma gama de assuntos que o espectador idealiza. Tais influências poderão ser codificadas no modo direto, ou seja, a transformação ocorrerá no momento que são absorvidas, ou em longo prazo, isto é, indiretamente, afetando o subconsciente e modificando-o em vários aspectos.

Hollywood é sem sombra de dúvida, a maior e mais influente produtora de filmes do mundo cinematográfico. Sede de várias unidades empresariais deste ramo, é de grande importância no que se diz respeito à identidade cultural dos Estados Unidos, e, graças às deturpações da globalização, do mundo também. Grande parte dos filmes que vemos hoje é produzida em Hollywood, e, ao transcender fronteiras, pode trazer consigo uma variedade de conceitos enrustidos que, ao chocar-se com a sociedade de outras dependências, pode corromper a cultura desta nação, por exemplo. O que acontece quando indivíduos das mais variadas posições sociais se deparam com um exemplo padronizado de estilo de vida que os filmes hollywoodianos, em especial, evidenciam? Um padrão que não se assemelha em nada quando comparado à realidade em que vive um dos públicos que o assiste. O que acontece com essa camada, discriminada socialmente por filmes assim? Quais reflexos decorrem disto? Quais os ideais individuais que podem entrar em crise ao ver uma cena de ação, ou um filme de ficção científica onde a bandeira dos Estados Unidos da América aparece como alvo principal no panorama? Quais os impactos decorridos nas mais carentes camadas sociais quando estas, ao testemunharem uma produção onde indivíduos seguem dirigindo carros luxuosos, ou ainda portando as mais avançadas (ou até inexistentes) tecnologias de ponta, podem apresentar?

E as crianças? Os mais influenciáveis indivíduos da sociedade. Influenciáveis por conta da busca constante por crescer e se fundamentar. Hoje, os filmes que se julgam infanto-juvenis e “livres para todos os públicos” não receberiam a mesma classificação nos anos 80 do século passado. Quando um indivíduo assim vivencia uma cena onde seus protagonistas idealizam um “final feliz” (a temática mais abusada em filmes do gênero), mecaniza um processo supérfluo de caracterização individual onde toda a história de vida, até mesmo a própria, conceberá um destino nas mesmas linearidades. E que preconceitos isto pode gerar? Que influências individuais uma criança, de seus oito anos, absorverá ao assistir uma obra que idealiza um amor “conto de fadas”? E a violência, questões sociais julgáveis, estilos de vida delineáveis e impressões culturais reprimíveis?

Mecanismos de implementação idealizados, que, quando impressos no mundo globalizado, ultrapassam os limites geográficos e leva exemplos culturais e sociais para as mais variadas regiões do mundo. Influências perceptíveis e imperceptíveis; impactos e deturpações memoráveis. Constância de informações codificadas por uma sociedade inapta para tal. Que reflexos as questões levantadas nos parágrafos anteriores podem conduzir na vida de alguém ou num grupo social? E o Brasil? E nossa sociedade? Estamos preparados para reprimir aquilo que os campos mais sombrios do cinema estão dispostos a programar? Estamos instruídos suficientemente para isto?

Simplesmente reflita…

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