A Criança e o Pássaro


Colunista Convidado: Carlos Henrique

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Era mais uma manhã de março…

Eu estava caminhando em direção a padaria como fazia todos os dias, para tomar meu café, como todos os domingos, adorava fazer aquilo, conversar com o pessoal, sobre as notícias, e tudo o que havia acontecido conosco durante a semana. Assim que entrei na padaria, notei que ela estava vazia, não era normal, notando que eu era o único fui ao balcão;

— Bom dia padeiro, onde esta todo mundo? — perguntei.

Ele me olhou nos olhos;

— Boa pergunta meu chapa, até agora ninguém apareceu…

— Que estranho, Bem, eu vou querer o de sempre.

O padeiro se movendo para trazer o meu lanche;

— Ok, E pra já!

Não era normal o vazio daquela padaria, mais relevei, porém eu ainda tinha o padeiro para conversar, assim que ele me trouxe meu pedido, notei que uma criança entrava com sua mãe na padaria. Uma criança simples, e com um olhar lindo, então eu “vi” que a criança carregava consigo uma gaiola, dentro da mesma, tinha um pássaro muito triste, parecia estar muito doente. Foi aí que tentei puxar algum assunto com a criança:

— Nossa que pássaro lindo você tem! — Abri um sorriso grande.

A criança retribui o sorriso, dizendo;

— Quando eu vi ele pela primeira vez. Ele era muito mais lindo do que esta agora!

Não entendi o que ele quis dizer, talvez ele viu na loja o pássaro e achou bonito, e agora não achava o mesmo, a mãe do garoto então disse:

— Filho, toma muito cuidado, gastamos muito dinheiro por esse pássaro!

O menino emburrado responde sua mãe;

Não acredito que pássaros tenham preço? Deveriam ser livres, e não custar cinquenta reais. Quanto é o meu preço se alguém quiser – me comprar?

Fiquei surpreso com a pergunta do garoto. Como ele aparentava ter entre sete e nove anos de idade, com um pensamento muito forte daquele, parecia ser uma criança muito inteligente…

A mãe segurando algumas sacolas corrigi seu filho;

— Não filho! Você não esta a venda, ele é só um pássaro, e um bicho de estimação, diferente de você…— Antes que ela terminasse o menino interrompe.

— Mais quem lhe deu essa liberdade de poder prender um animal, e dizer que ele é seu? Outra pessoa poderá também fazer isto comigo, não?

Mais uma vez fiquei surpreso com a resposta daquela criança, não pude deixar de pergunta quantos anos ele tinha assim interrompendo -o a conversa já que notei que a mãe ficou calada.

Licença, quantos anos você tem pequeno?

— Tenho oito anos!

A criança me olhando fixamente, e me pergunta:

— Quanto você custa?

A mãe da criança então diz:

Filho, mais que pergunta essa hein? Desculpa moço ele só está brincando!

Fiz uma cara de entendimento;

— Não me importo, esta tudo bem!

Tentei procurar as melhores palavras para responder a criança;

— Diga-me como é seu nome?

— Meu nome é Christopher!

— Olha Christopher, eu não tenho um preço, por que eu não estou a venda, e porque sou livre, por isso não devo ser comprado por ninguém.

Achei que não foi uma ótima resposta. Mais então a criança olhou para o pássaro ainda triste pensando um pouco, foi então que olhou novamente no fundo dos meus olhos e disse com muita sinceridade;

— Já que o senhor não tem preço, por que o pássaro também tem que ter? Só por que ele e bonito? — Fiquei paralisado ouvindo menino, que continuava a falar. — A primeira vez que eu vi um pássaro ele estava em um parque junto com outros amigos dele voando, achei aquilo uma coisa tão linda, que quis ter um para mim. Pedi para minha mãe comprar um igualzinho, vindo para cá notei que ele não tinha o mesmo brilho que os outros que vi no parque, este aqui esta deprimido! Agora me responde senhor, como você se sentiria se alguém tirasse sua liberdade? Como você se sentira se te tirasse dos seus amigos e familiares? Você iria gostar se dessem um preço para você?

Fiquei sem reação, as palavras daquele garoto entraram na minha mente e no meu coração, como se fosse uma anestesia em todo meu corpo, não conseguia – me mover… Alguém em mim lá no fundo me fez refletir…!

A mãe do garoto parecia não ser fruto daquele pequeno coração puro, uma lição na qual levarei comigo para o resto de minha vida…

O garoto então puxando a porta da gaiola abriu, deixando o pássaro voar…Todavia lágrimas começaram a sair dos seus pequenos olhinhos.

Perguntei com meu coração partido:

— Por que você esta chorando?

Ele passou a mão nos olhos perdidos de lágrimas;

— Há pouco tempo antes de comprar, não percebi que eu estava tão preocupado apenas em tê-lo sem ao menos saber se ele queria – me ter…

Coloquei as mãos no bolso, sentia um certo remorso, olhei para o garotinho;

— Hora você não sabia, logo não tem o porquê você se preocupar.

— Tem sim! E os outros pássaros que vi na loja?

A criança foi embora, sua mãe o pegou depois de uma longa conversa, não sabia o que fazer, eu estava triste, mais ao mesmo tempo estava feliz, por ter aprendido uma lição muito importante, para ser feliz preciso apenas que o próximo tenha sua total liberdade, assim como o pássaro que ficou feliz com sua liberdade…

A partir daquele dia, todos os domingos fiquei esperando para que um dia eu possa encontrar novamente aquela criança e agradecer por ela ter – me mostrado a parte do meu coração na qual ainda era egoísta…

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