Poesia – Sou


sou

 

Sou o egoísmo da partitura da vida,

Sou os olhos amargos dos sofredores…

Sou um monte de coisas indefinidas,

Sou o vigilante dos becos aflitantes, onde não há fim, só corredores.

 

Sou a desgraça ambulante que preenche o título da vida, chamado – recomeçarei,

Sou uma mistura de cores e os passos dos desacreditados…

Sou o ontem e o hoje, pois no amanhã nada serei,

Sou uma imagem, uma partitura de lembrança, fui esquecido, fui enterrado.

 

Sou o beijo da última despedida,

Sou um estranho, ou um maluco beleza – independente, matei um coração!

Sou a tatuagem que marcará sua alma desguarnecida,

Sou a queda dos fracos, que na descida pedem o socorro da salvação.

 

Sou o calor que invade seu corpo, minha menina prometida,

Sou o caminho das flores malditas, onde um dia já fui rei!

Sou um asco de ventanias perdidas,

Sou as palavras incompreendidas, sendo aqueles que me leem, dizem por aí, não sei.

 

Sou o único instante, o final o abrochar de um acabado,

Sou o que tinha amanhecido, o retrato de um enfraquecido.

Sou a luta da minoria rouca, que cansou da batalha dos derrotados…

Sou o que sou, e não me arrependo de ter sido.

Fim, do sou…

 

 

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