Sala da Esperança – I


sala escura

 

Sala da Esperança

 

13 De Janeiro, 23 horas.

 

Mais uma noite sem sono. Sem sono, sem sono, sem sono… Sem sono!

 

Seu coração estava tão aflito, que não parava de cantar uma música melancólica. O grunhir incomodava qualquer ouvido, principalmente seu espírito, que se sentia arrebatado por tamanha cifra. Sua vida tinha fugido do controle, foi casado, hoje arrasado. Reside sozinho, sem animais, sem emprego, sem vontades… Falta vida!

Essa sensação habitava em seu peito, exatamente há uns dois anos. 24 Mês havia-se passado. Não sorria, continha uma nostalgia de que um dia viveu… Perdeu-se só. Assim ficou. Quer encontrar sua alma! Pergunta se é o único que perdeu uma alma. Quem já perdeu sua alma? Dias vêm… Dias vão…! Recusa lembrar seu nome. Um nome, palavras desorientadas e controladas por algo maior. Uma identificação. O sentimento, algo de mais valor, foi arruinado.

 

14 De janeiro, 9 horas.

 

Na alvorada daquele dia, seus olhos inchados e resistentes por fechar, se olhavam no espelho, acabava vendo e sentindo as mesmas coisas: Um rosto sem face, um coração sem sentimento, um choro sem lágrimas. Era ele! Mas quem era ele? Você? Eu? O ressurgimento de um cérebro primitivo e de instintos modernos. O telefone tocou.

Seus pensamentos voavam…

— Será que devo atender ao telefone? Quem seria está hora?

O vazio de sua mente era eminente, não houve resposta alguma. Fez o que devia fazer, foi ver quem era.

Desceu as escadas lentamente, o telefone, persistia. Chegando ao local onde ficava o aparelho, olhou para o mesmo, o som emitido era péssimo. Quando tocou mais uma vez, pegou.

— Quem é? Rispidamente.

Do outro lado da linha, uma voz rouquidão consentiu.

— Sou eu.

Não mudando sua expressão.

— O que quer?

— Peguei o endereço daquele cara, lembra?

A conversa era familiar, só existia um problema. Lembranças não faziam parte dele agora.

— Não. Quer dizer, talvez… Droga. Sei lá! De quem está falando?

Mantendo uma voz estável e regular, mostrando afinidade.

— Caramba! Sabe minha irmã? — Sei. — Ela teve problemas no casamento, no emprego, no convívio social, beirava depressão. Tomou remédios e foi a inúmeros médicos. Ninguém a curava. Até que, encontrou um homem.

Concordando com a cabeça, alimentando suas lembranças, se recordou um pouco.

— Hum… Lembrei, e daí?

Eufórico com a notícia que daria em seguida.

— Peguei o endereço com ela. Seria bom, você ir. Minha irmã, só elogiou o homem, disse também, que hoje ela é feliz, tudo por causa dele.

Não aguentando mais aquela conversa, pede para passar o endereço.

— Onde fica?

— É próximo da sua casa, na Vila Sidim, número 143.

Cansado ele agradece, pede licença, precisava desligar. Seu ânimo era algo tão baixo, que preferia o silêncio do seu banheiro e sua imagem.

 

14 De Janeiro, 16 horas.

 

Horas depois, jazia em seu sofá. Comia chocolate, e apreciava suas paredes, tão lineares, tão presas ao chão. Elas eram grandes. Voltou a refletir em sua existência. O que é viver? Sentia falta de algo. Sua esposa? Sua família? Dos amigos? Dele mesmo! Tinha trinta e quatro anos, fios de cabelos brancos, unhas comidas, roupas rasgadas, fotos pela casa, e vários buracos. A principal era a cova de seu amor. Ela foi enterrada. Ela morreu de câncer. Ele jogou terra no caixão da sua amada. Ele demasiadamente chorou… Apenas chora desde então.

— Vila Sidim? Gritou sua cabeça!

— Eu vou lá!

Não se arrumou, foi do jeito que estava, colocou um sapato preto. Olhou-se no espelho antes. Disse, oi! Não houve resposta. Resolveu ir. Foi.

O caminho era rápido, levou alguns minutos. Tinha transporte público perto da casa dele. Desceu em frente. Notou uma placa em frente do estabelecimento. Dizia: NEFELIBATA.

 

14 De Janeiro, 17 horas.

 

Uma temperatura normal. O único anormal seria nosso homem?

Entrou…

Ficou estupefato, uma loja estranha, vitrines vazias, um balcão, atrás dele um senhor, aparentemente deveria ter cinquenta anos. Foi na direção dele.

— Boa tarde! Não sei se está fechando, um amigo deu o seu endereço… Sua voz pausa um pouco. — Devo estar enganado, vou embora!

Virou – se de costas e foi para a saída.

— Espere! Pontuou o senhor.

— Meu nome é Maia. Estende sua mão encima do balcão.

Assustado com a reação do senhor. Reaproxima-se.

— Prazer! Não retribui o gesto.

— O que deseja?

— Não sei. Incomodado com tudo que acontecia, ele começou há suar um pouco.

— O que o senhor vende? Uma irmã de um amigo veio aqui com depressão, e confirmou uma melhora do seu estado mental.

Sorrindo e ainda com a mão estendida.

— Muitas pessoas me procuram. Não vou-me lembrar dela. E nem quero! Está moça que postula, voltou a ter.

— A ter o quê? Indagou.

— Um ser! Enfático.

— Nesta loja chamada NEFELIBATA. Trago as pessoas a viver novamente.

— Como? Por quanto? O que vende aqui? Está tudo vazio?

Com um ar de alegria.

— Olha, neste lugar, realmente não tem nada para vender, não trabalho desta maneira.

Nosso homem muito confuso.

— O que faz?

— Nada.

— Como? Sem entender.

Maia tirou as mãos do balcão, colocou palma da mão esquerda com a direita, fechou os dedos, se aproximando da boca.

— Atrás de mim, existe uma sala, que eu classifico como uma extensão do NEFELIBATA. Eu a batizei de Lívia Esperança.

Assustado com o nome do ambiente, pois, sua falecida esposa se chamava Lívia.

— Por que ela tem este nome? O que acontece nela?

— Ela é o que deve ser. Entre nela e descobrirá! Só tem duas regras.

— Qual?

— Primeiro… Não há regras. Segundo… Fique o tempo de sua dor.

Surpreso com as coisas ditas.

— Estou há dois anos. Quer dizer, ficarei este tempo na sala?

Sorrindo o seu Maia explica:

— Pega o período em anos, e transforma em minutos. Fique durante vinte e quatro minutos.

Consentindo um entendimento, o homem afirma que quer entrar. O senhor Maia pondera que, ira dar uma chave, a que abre a porta, depois, não tem mais responsabilidade, inclusive, vai fechar o ambiente, devido ao horário de fechamento.

Ele pega a chave, e vai à direção da porta. Ela realmente estava fechada. Olha para trás, o senhor Maia, retribui com um sorriso. O coração dele acelera. O som, já não é melancólico como antes. Bate um pouco mais rápido. Enfia a chave na fechadura, gira uma, duas vezes, até perceber que destrancou. Abre a porta. Entra.

Contínua…

 

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