Medo e Emoção! Parte IV


Parte IV

Bruto

 

Nunca fui beijada daquela maneira…
O seu beijo era forte com dosagens de ardor e raiva.

Eu jamais soube com exatidão, coisas sobre ele, tanto que apesar de dez anos em convivência, desconheço o seu nome e o trato, ou por “querido”, ou por “James Dean”. Entretanto, tomo a liberdade de falar que sou uma das poucas pessoas que conhece algumas coisas de seu passado.
Sei que a única pessoa que ele “amou”, além de tratá-lo como um cão após sua declaração, o chamou de psicopata em um bar e por conta disso, jurou para si que NUNCA mais amaria uma outra pessoa.
Sei que ele é órfão. Também tenho noção, que cresceu em um reformatório sofrendo abusos dos quais se vingou anos depois.
Conheço sua aversão pelos sentimentos. Sempre mede suas ações com o hemisfério esquerdo de seu cérebro.

Devo estar totalmente iludida por amar um homem daquele calibre. Ao ponto de entregar para ele minha vida, sem cogitar os prós e os contras deste ato. Durante aquele beijo minha cabeça girava fora de órbita, meu corpo inflamava fazendo-me sentir leve.

Neste momento mágico houve até a trilha sonora do U2. “Magnificent” não era uma trilha muito romântica, mas seu instrumental era forte, principalmente o leve solo de guitarra.
Quando finalmente o beijo terminou, ele sentou-se na cama levando as mãos ao rosto.

— Não entendo… Falou

— Foi tudo muito rápido. Prossegui-a

— Mas não há o que entender. Retruquei

— Você sempre disse, devo fazer o que sinto vontade. Então faça o mesmo!
Sentei perto da cabeceira da cama

Vi seu rosto de relance, pareceu-me arrependido de ter feito aquilo. Me senti mal e sem pensar falei:
— Não deveria se arrepender disso, amanhã partirá em busca daquela garota que conheceu no coletivo que supostamente te deu condição…
— Cale a boca! Interrompeu-me irritado.

— Levante-se, fique em frente à janela.

Sua feição era ameaçadora, e por um breve instante pensei no que Alex sentiu antes de apanhar dele. Pegou a garrafa na cômoda, tomou uma grande quantidade, me olhou feio.

Sendo completamente submissa a vontade dele, fui até o local indicado.

— Luce, sinceramente, o que você veio fazer aqui?
— Vim para beber contigo.
— Não, não veio! Você se despiu alegando que iria apenas servir de modelo, do nada fala que está apaixonada e ainda se atreve a tentar dizer o que eu vou fazer, sendo que até agora não defini. Além de tentar-me lograr na maior cara de pau… Quero a verdade, e a quero já!
— Tudo bem! A verdade é que eu fiquei enciumada por causa da garota de olhar marcante, que você não parava de falar durante o jogo. Aliás, não sei porque está tão bravo, pois, foi você mesmo que disse que me queria.
— É verdade. Expressou. — Mas nunca quis nada além de uma transa.

Ele levantou-se com tudo e veio na minha direção, largou a garrafa que tinha na mão e me agarrou forte.

Sua boca tinha gosto de ácido de bateria e whiskey velho, suas mãos eram rígidas e frias como aço.
— Esta noite… Falou-me ao pé do ouvido. — Eu quero servir como seu homem, depois pensamos nas consequências disso.
Jogou-me na janela com tudo. Abriu minhas pernas e beijou meu íntimo como se nunca mais fosse fazê-lo, seu desespero era cheio de melancolia e rancor.

E finalmente nos conectamos.

Não demorou muito para que eu ficasse orvalhada, ele sentiu o meu gosto e se deliciou, era um bruto e queria fazer jus ao título. Assim que terminou, despiu-se e revelou sua lança para mim.

— Vire-se… Mandou.

Seu corpo peludo (todos aparados uniformemente) era cheio de cicatrizes, irresistível. Ajoelhei e desacatando sua ordem, ajoelhei e acariciei seu instrumento e o envolvi com minha boca. Depois de dez minutos eu parei, porque eu constatei que estava atingindo o seu limite. Postei-me de pé e fui jogada contra a janela semiaberta, pude notar que um pequeno fluxo de pessoas estava se aproximando, mas não consegui-me conter e abri descaradamente minhas pernas esperando-o ansiosa.

Ele invadiu-me e preencheu o vazio de minha alma.

Copulou com raiva e força, como se quisesse destruir algo ou alguém! Matar tudo que era vivo, com ódio, aversão, repugnância. Era um ser intenso e pude perceber isso em cada estocada que fora me dada.

Certamente eu era especial para ele.

Copulamos por horas e em várias posições, até que, novamente senti a sua erupção aproximando, solicitei que retirasse o preservativo e explodisse dentro de mim. Logicamente ele relutou, mas atendeu o meu pedido quando revelei que aquela foi a primeira vez que fiz aquilo, que era demasiado importante para mim, senti-lo escorrendo para dentro de meu corpo, quando enfim aconteceu, meu orgasmo foi alcançado por completo.

Ele continuou dentro de mim por um longo momento, depois abraçou-me e adormeceu, eu adormeci logo em seguida após ouvi-lo dizer:
— Obrigado…!

Contínua…

Não leu a primeira parte, então, leia agora: https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/10/10/medo-e-emocao/

Não leu a segunda parte, então, leia agora:https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/10/17/medo-e-emocao-parte-ii/

Não leu a terceira parte, então, leia agora: https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/11/07/medo-e-emocao-parte-iii/

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