Tua Imagem VII – FINAL


 

VII

 Janeiro, 2012

Chegou o momento… Juan Mathias amanheceu feliz! Ambrósio estava ao lado dele.

— Como foi relembrar passagens tão importantes para sua vida?

— Foram ótimas. Isso me ajudou a repelir raciocínios tão carregados de energia sem sabedoria e conhecimento.

Afortunado com aquele dia, Juan expõe que sua jornada foi tão especial, que não há palavras para resplandecer sua felicidade. Contudo, não queria continuar com aquela caminhada. Ele realmente tinha entendido valorizar tudo que acontece ao redor dele. Via uma grande oportunidade de levar conhecimentos ao próximo. Relatou que por várias noites, acordava e, diante desta falta de sono, refletia em suas ações e nas pessoas que havia machucado. Ele aprendeu a se perdoar, aprendeu a chorar, aprendeu a amar… Neste aprendizado, fundiu as lágrimas com o sangue. Visivelmente acreditava em mudanças, a esperança de fazer o novo a cada dia, de inovar seus conceitos, de ser feliz dia após dia.

— E a sombra? Ambrósio queria saber da voz que o acompanhou.

— Não sei dizer o certo, o que era? Ou quem era? Conhecia-me demais… Independente do que dizia, eu a – acompanhei! Foi deste modo, que venci meus medos e minhas barreiras. Consegui ajudar os necessitados. Não sei se purifiquei meus pecados, vivendo como um viajante, um notório andarilho. O extraordinário, é que vivendo na simplicidade, tudo mudou!

— Estranho… Antes de partir, quero saber quem é você? Porque lutou por mim?

Com muita delicadeza, Ambrósio, afirma que ele não deverias se preocupar com essas indagações. As respostas trazem alívios aos necessitados, o que não era o caso. Afirma a Juan, que mesmo sem ele saber, já teve sua resposta na sua trajetória durante esses anos.

— Saudoso Juan! Tenho que viajar pelas faces ocultas do sentimento. Minha história contigo acaba-se aqui. No desfiladeiro das almas perdidas, seu caráter foi desafiado e, alimento uma vitória espetacular do seu ser. Jamais se esqueça do que irei proferir… “Sofrer é só uma vez, vencer é para eternidade”. Caminhe com os justos e bons de coração. Obrigado!

Terminando sua jocosa verbalização, Ambrósio segue… Até onde Juan, não pode mais ver. Ele sabia que, durante esses anos ausentes, sua noiva, tinha ficado extremamente abalada. Seu noivo tinha desaparecido, pensou que ele morrerá, ou coisa do tipo. Desse modo, fez o que lhe convém fazer, esperou o tempo curar, e encontrou outra pessoa, um verdadeiro amor, alguém fiel, uma pessoa que amava incondicionalmente. Casou em seis meses, e hoje anos depois, é mãe de um belo rapaz, mora fora do país, pois o marido viaja muito a trabalho, felizmente, ele leva sua esposa e seu menino juntos.

Juan tinha unicamente algo mal resolvido, Ana! Ele iria para um parque, o local onde namoravam muito. Um local abençoado por inúmeras maravilhas da natureza, ambos sentiam-se bem naquele espaço. Marchou para o recinto…

Ana tinha levantado cedo, mal pregou os olhos, tomou um banho com o intuito de relaxar seus músculos. Avaliava a situação minuciosamente, temia o que iria fazer. Quando saiu do banheiro, se deparou com sua tia.

— Ana, minha sobrinha do coração! Eu posso imaginar como deve estar se sentindo. Anos depois, aquele traste aparece, romantizando seu sumiço, e paquerando sua dor. Todavia, vá ao encontro dele.

— Porque deveria fazer isso Tia?

— Porque passou tantos anos… Vejo que ainda ama ele! Nunca superou. Tentou até namorar, da forma errada, procurando a imagem dele em outros rapazes. Ele voltou Ana, veja o que ele pode – lhe dizer.

Terminando sua Tia, deu um apertado abraço, alegou que iria a feira. Pegou suas sacolas, e saiu. Ana não sentia mais dúvidas. Arrumou-se e foi ao encontro de Juan.

Juan chegou primeiro! Ficou olhando que o tempo não tinha mudado muito aquele ambiente. Recordou dos doces momentos que teve com Ana. Ao lado daquela mulher, suas obras eram mais completas, tinham mais profundidades, tinha mais vida, ela era seu tema, suas formas e complexidades. Logo depois, ela também chegou.

Juan abriu bem os olhos, efetivamente, era a mulher que ele tanto amava. Correu na direção que poderia encontrá-la. Ana, não quis ser abraçada ou coisa do tipo. Alertava que nem sabia o que fazia ali, queria ouvir o que tinha sucedido com Juan.

— Seja breve! Não tenho muito tempo para ficar aqui. Ana estava com os olhos cheios de lágrimas, e com os braços cruzados, estava totalmente protegida.

Ele percebendo esta defesa, pediu calma e tranquilidade, contudo, iria delegar todo o ocorrido.

— Ana! Quero – lhe perguntar uma coisa?

— O quê? Ela mantinha-se no mesmo local e da mesma forma.

Respirando excessivamente. — Vale a pena lutar por amor?

Ela ouve em silêncio a pergunta. Não mostra muita reação na face sobre o que estava ocorrendo.

— Juan! Sempre devemos lutar por quem amamos. Não importa o que tenha acontecido… Se acreditas neste amor, jamais desista! Porque na minha visão amor é proteção e, não fuga, medo, desistência… Ana começa a esboçar sentimentos amargurados e ressentidos.

— Eu não tive escolhas Ana. Tinha que sumir, desaparecer e não voltar mais.

— Você não teve escolhas? Muito bem. Eu tive alguma escolha? Você me deu alguma escolha? Não! Simplesmente desapareceu. Não deixou notícias, e quando recebi informações suas, foram de sua noiva! Seu canalha do fundo da minha alma, eu te amava… Começa a chorar…

Sentindo uma dor aguda em seu peito, Juan, também começa a se emocionar.

— Eu te juro! Não queria fazer metades das coisas que fiz. Sinto muito ter – te machucado, e machucado outras pessoas. Levarei esta sombra para eternidade de minha alma. Descontrolado Juan, coloca as mãos na cabeça e senta-se no chão, chorando…

Ana vendo ele daquele jeito. Tenta imaginar por que ele voltou? Justamente agora!

— Você não me deu chances. Você me fez sofrer. Eu te odiei muito pelo que fez. Depois de um tempo, vivendo o fracasso do coração, meu peito foi tão apertado, que ele não aguentava mais. Eu te amei pelas coisas pequenas que me dava — atenção e carinho. Te odiei pelo grande buraco negro que deixou, você me cegou, deixando – me sozinha.

Juan levanta. Olha para os olhos daquela mulher. — Eu não fugi. Eu fui buscar a salvação dos meus pecados. Trilhei vários lugares, ajudei e fui ajudado. Sorri, gritei, brinquei, fui feliz e infeliz, tive uma oportunidade de ver a vida como jamais teria condições. Tudo tem seu preço, e o meu, foi escutar suas angústias para aonde eu ia, eu seguia suas lágrimas para onde elas me levavam. Eu fui um canalha, um facínora! Fui à flecha penetrante da sua tristeza. Porém, eu voltei, voltei pela pessoa perfeita que és, voltei pelas imagens em meu coração. Quero demais te amar de novo.

Ana com um sorriso sarcástico.

— Simples assim? Não. Não é simples. Minha vida foi mutilada por você. Perdi anos dourados por sua causa… Juan pega em suas mãos.

— Pare de entregar o fardo da sua dor para mim. Eu iniciei este período, somente sua pessoa poderia por um ponto final. Não pós antes porque não quis!

— O quê! Indignada.

— Ana todas as nossas escolhas, não tem uma regra que será certa e feliz. Podemos sair feridos, mas essa é a única maneira de viver a vida completamente. Ame profundamente e apaixonadamente.

Ela tenta tirar sua mão da dele. Ele não deixa, pegando a outra.

— Você veio até aqui. Porque acredita em algo.

— Eu vim para ouvir suas desculpas. Já chega! Vou embora…

— Ana! Quero que saiba de uma coisa, na minha viagem, eu tinha que encontrar uma razão para viver. Esta razão foi você…!

Ela olha para ele, sensibilizada com tudo que estava acontecendo. Aproxima-se, e dá um beijo em sua face esquerda. No mesmo instante uma lágrima escorre dos olhos dela, passando pela face dele, morrendo em seus lábios. Ela se afasta, olha novamente, vira suas costas e vai embora…

Juan paralisado segue o corpo da mulher que amava com sua visão. Vê-a saindo do parque, entretanto, antes, ela olha para trás e, sai em seguida. Ele cai no chão chorando descontrolado.

Não sabemos se eles voltaram, não tem como saber, dizem que o tempo é o curador de todos os males, de todas as aflições. Nele que temos que confiar, senão, ficaremos com as doces lembranças de um amor que foi em vão.

Fim

Para Saber mais:https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/09/30/tua-imagem-carta/

https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/10/02/tua-imagem-i/

https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/10/04/tua-imagem-ii/

https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/10/24/tua-imagem-iii/

https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/10/25/tua-imagem-iv/

https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/11/01/tua-imagem-v/

https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/11/08/tua-imagem-vi/

 

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