Medo e Emoção! Parte III


Parte III

Blue Jeans

Ao vê-lo sentado naquela poltrona velha, olhando-me e esboçando os meus traços no papel, uma forte lembrança me invadiu, meus olhos me transportaram para aquela tarde veraneia, quando eu ainda era universitária e namorava Alex, um “playboyzinho” metido. Estávamos nas escadas da universidade como habitualmente ficávamos, quando eu – o vi. Estava de camisa preta, usava um blue jeans rasgado nos joelhos, óculos escuros e tênis Converse All Star, sem contar o seu jeitão rebelde, semelhante ao James Dean no filme Juventude Transviada. Tinha um cabelo moicano com um topete semelhante ao do Elvis, mas sem a gentileza do Rei do Rock, era verdadeiro “Bad-Boy“. Estava descendo as escadas contando dinheiro e, cantando Live and Let Die, a versão de meu Beetle favorito, Paul. Passou por nós sem sequer olhar para o que estávamos fazendo, Alex assim que o olhou soltou uma piadinha infame que juro por Deus não consigo recordar. Ele olhou para Alex, esboçou um sorriso, virou-se e num movimento rápido agarrou-o no pescoço e enfiou a cara dele na parede, atirando-o ao chão sem o menor indício de piedade. Paralisei, foi a primeira vez que eu o vi, sua feição era maldosa, mas tinha um charme encantador, ele percebeu que eu pretendia amparar meu ex. e interrompeu-me, olhando para mim.

— Não perca o seu tempo com ele, coração! Veio até mim e beijou minha face esquerda. — Vá embora daqui. Continuou com um sorriso cheio de cinismo.

Após falar aquilo para mim, voltou ao seu rumo e com rapidez sumiu de minha vista, naquele momento, pensei que ele era apenas uma aparição. Nos filmes quase sempre acontece uma cena com um personagem marcante, que desaparece sem deixar vestígios.

Mas o destino não quis as coisas assim, tanto que depois de um ano o reencontrei, na segunda edição do Street Rock, tínhamos amigos em comum.

Foi a partir daí, que nós começamos uma linda amizade e fui batizada como Luce…

*******

A velocidade que ele fazia os desenhos, era tamanha que meus olhos quase não viam sua mão, apenas os riscos do lápis no papel. Quando terminou de fazer o 14º retrato, ele levantou-se e tirou uma câmera de vídeo profissional e a posicionou na minha direção, olhei-o curiosa, ele olhou meus olhos com um ar de malícia.

Tirou a sua camisa, revelando seu tórax e sua tatuagem, sentou-se na sua cama e me agarrou com força.

— Sabe o que eu quero de você, Luce? Disse.

Mordi o lábio inferior, afundei o rosto em seu peito e olhei-o nos olhos.

— Sim, eu sei… Respondi.

— Então, diga o que é.

— Você quer a mim.

Ele mostrou uma imensa alegria para mim, da mesma maneira do nosso primeiro encontro, levantou-se da cama, foi até a cozinha e pegou a garrafa que estava na mesa, tomou um pouco e voltou para o quarto. Não veio direto para a cama, foi verificar a câmera e guardar os desenhos, aquilo estava – me deixando louca, me corroendo por dentro.

Quando finalmente voltou, novamente seu olhar estava frio, sua voz era ainda mais grave, tão grave quanto um baixo elétrico.

— O que seu ser deseja? Disparou.

Aquela pergunta me acertou em cheio, fiquei sem ar, confusa, nem fitá-lo nos olhos. Minha voz travou na garganta me impossibilitando de respondê-lo, respirei fundo, e sem perceber soltei.

— Você não percebeu que sempre fui apaixonada por você?

Contínua…

Não leu a primeira parte, então, leia agora: https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/10/10/medo-e-emocao/

Não leu a segunda parte, então, leia agora:https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/10/17/medo-e-emocao-parte-ii/

Anúncios