Carta – Senhor das minhas loucuras


Eu sou o senhor das minhas loucuras…

Devo estar no auge dos meus delírios, simplesmente por não ter mais no que acreditar. Acabei de perder minha mãe! Ela faleceu de câncer. Foi tudo muito rápido, foi descoberto após um exame, câncer no ovário. Minha família se perdeu, meu pai e irmãos não sabiam o que fazer, eu, sempre ouvindo o sino da minha cabeça batendo mais forte, não me preocupei…

Sou um altivo jovem, que desde cedo, me despeguei de conceitos familiares, meu único pensamento é viver, não importa a forma ou a maneira. Sou carregado de vivências, pois, sai de casa, fui morar na rua, na estrada, nas casas, nos corações das damas, na libido da humanidade. Grandioso foi minha jornada, até o dia que soube da doença de minha mamãe.

Nunca acreditei em Deus, nem gosto de discutir, debater se existe um ser superior. Mas quando deparei com minha mãe debilitada, com um crucifixo na mão, revoltei-me mais… Naquele momento, dei créditos para sua imagem, não podia compreender aquilo, aquela mulher sempre reverenciou Deus com sua fé, as obras dele fazia parte da formação de minha mãe. Só que, na minha imaginação, uma audácia crescia, era destruir de vez Deus em minha vida, como podia ele permitir minha mãe sofrer tanto.

Ela, nem na enfermidade desacreditava…

Depois de alguns meses, após minha volta, o quadro de saúde dela tende a piorar. Nunca sofri tanto como estou sofrendo, entendi o sentindo da dor, não consigo mais sonhar, não ouço mais os passarinhos pela manhã, estou renegado a respirar unicamente.

Tenho uma foto de quando eu era criança, tinha uns 6 anos, ela me segurando no seu colo, meu ser, sorrindo por ter a proteção dela, não conseguia afastar esta lembrança, um abraço cheio de ternura. Hoje esta chovendo amargura, por vê-la deste modo, fraca. Minhas lágrimas escorriam pelo meu rosto, meu medo aumentava.

É, passou – se horas e acabamos de enterrar minha mãe, estou perdido na sonata da música. Questiono, por que foi assim? Uma pequena chama estava se apagando.

Carteiro veja a minha luta, somos estranhos, não tenho mais planos, estou paralisado, anestesiado pela perda da minha mamãe, percebo que não estamos prontos para perder, para morrer… O vento secou meu corpo, a chuva foi embora, tudo em mim murcha, minha alma dói, estou torcendo exclusivamente para uma coisa, não quero esquecer o seu rosto…

Minha mamãe!

Carteiro das Lamentações! Estou entregue nas palavras vazias de um copo que já foi cheio. Se pode de alguma forma me ajudar, estou esperando…

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