Tua Imagem IV


No outro lado da cidade, encontramos nosso ex. – destemido homem. Ele tinha voltado para reencontrar seu amor, indo ao encontro da moça. O que conseguiu apenas? A rejeição de Ana. Por mais que tentasse sua cabeça não conseguia arranjar uma solução. O único pensamento que corroía a mente dele é que o belo sempre triunfa o monstruoso. Aquela mulher era linda! E suas palavras tinham cheiro, como essências do campo silvestre. Só que ela o tinha rejeitado. Além do que, dificilmente iria aparecer no encontro que ele propôs.

Mas ele sabia que não podia desistir assim tão fácil. Deverias mostrar o que tinha acontecido com ele durante todo esse tempo. Infelizmente estava sem energias para acreditar que tudo poderia dar certo. Começou até a questionar se tinha feito correto, sumir daquele jeito. Conforme ele caminhava, percebeu que as pessoas olhavam para ele, como se o mesmo fosse algum estranho fora do ninho. Olhares vazios de vida, olhares rancorosos, olhares que doem a alma de qualquer um. Imagens e símbolos surgiam na cabeça de nosso viajante. Foi quando de longe, avistou a mesma árvore do dia. Sentou e, encostou sua cabeça no tronco. Relaxou, olhando para os lados, não via sua sombra, como fez pela manhã. Fechou os olhos…

— Acorde! Acorde! Acorde!

— Choras por quê? Eu sei. Por que vive nesta cidade de dementes!

Neste momento, Juan levanta a cabeça, não vê ninguém ao não ser ele mesmo.

— Você não pode – me ver senhor. Eu sou sua sombra, e agora sou a voz na sua cabeça, estou enfrentando sua consciência… É tão hilário estar aqui. Seus pensamentos, tão presos ao que é certo ou errado. Acorde! Acorde! Acorde…

Nosso amigo, para um pouco, suspira profundamente, ele sabia que o que estava acontecendo com ele, era um sinal de fraqueza. Ele já tinha superado as ideias sociais, ainda mais aquelas que dizem: Isso é certo, Isso é errado. Só que o encontro com sua dama, o tinha deixado assim, desesperado e sem chances de raciocinar.

— Nossa! O que falar deste sentimento?! Ele vive dentro de mim, me dilacera todos os dias, a cada dia que fiquei sem ela, perdi um pouco de mim.

A voz continuava na cabeça de Juan.

— O que você queria sua besta! Que depois de tanto tempo, as feridas fossem cicatrizadas, você a deixou com um tumor benigno. Ao mesmo tempo em que a amou se transformou no seu carrasco, levando o pobre coração da mocinha em uma bandeja, para ser servida aos porcos… Ao término desta fala, cai em gargalhada!

Irritado, Juan, pede para parar de rir.

— Eu não fiz nada disso. Não sou uma pessoa que faria isso. Você sabe muito bem porque eu fui embora.

— Eu sei! Tenha calma. Apenas saliento a verdade.

Ele levantou-se um pouco, olha para cima, percebe que esta uma noite tão linda. Fecha seus olhos, sente que sua amada, pensas nele, só que com dor e agonia.

— Eu ouço o seu choro. Um doce amargo corrói minha alma neste instante.

A voz questiona se podes dizer algo. O homem senta novamente e, afirma que ela tem total direito de se expressar.

— O amor é como uma lágrima, surge o sentimento e quando menos se espera, explode na nossa face, caindo pausadamente, escorregando por nosso rosto machucado pelo tempo, e ao cair no chão se encontrará em um solo visivelmente ferido pelo mundo. O amor é um choque, que ao não tomar cuidado, cega o coração, ainda mais, que não somos educados para amar, apreendemos com o outro a fórmula do amor. Veja bem, este sentimento, é uma estrada escura, que ninguém sabe onde vai dar, ou onde vai parar.

Juan, seriamente reflete nas palavras da sua voz. Olha para árvore, tem um olhar amável e sensível, logo, toca seu tronco.

— Uma árvore que representa a humanidade e a razão. Você sempre vai amparar as pessoas com sua sombra, terás flores para agraciar aos olhos do coração, talvez frutos para alimentar a alma dos fracos. Mas o que te alimenta? Por que encara esta tarefa de ajudar sem ter nada em troca?

— Eu posso – te responder.

— Responda minha voz, que me segue.

— Uma tarefa grandiosa como você mesmo diz. Preparo a terra e os homens para receber algo bem maior do que eu já fiz.

— O que é? Questiona o homem.

— Sou o fecundante do amor. Na alegria da razão, eu levo humanidade e amor para todos, sem cobrar nada em troca. Amai, sem querer nada em troca.

— Vou recitar agora uma poesia que vem na minha mente.

Juan acha engraçado, a voz ter uma mente, sendo que ela esta na mente dele.

— Por favor, me deleite com suas palavras…

Um sentimento maligno

Que me traz muita dor,

Machucando minha flor.

Deleitando-me no sofrer…

Tudo isso, invade meu coração,

Gritando você vai – me amar!

Como a música do mar…

Eu sou sua afirmação e seu dizer.

Anjos sem asas,

Com sua trombeta divina acalentou

Sua chegada inundou…

Soando com sua forte voz.

Alegando que eu tinha uma escolha…

Ser uma face sem visão,

Ou um espelho da escuridão.

Eu vi você, eu vi… Nós!

A onda chegou,

O pássaro simplesmente cantou,

Seu beijo

As palavras

Que faltavam

Para continuar,

Meu livro

Que se chama,

Amor…

Após terminar, Juan, ficou sem palavras para expressar seu sentimento, diante daquilo.

— Eu sinto falta da Ana. Não consigo mais viver assim, tenho que gritar: — Ana, eu te amo! Quando sinto este sentimento, meu coração bate tão rápido que não tem medo de cair. Vá ao meu encontro amanhã, eu lhe suplico, pois somente desta maneira, poderei – lhe explicar o que aconteceu comigo durante este tempo de ausência.

Ao fechar suas súplicas, Juan, sentou – se novamente na árvore, pediu licença para a voz, tinha que descansar um pouco.

Contínua…

Para Saber mais:https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/09/30/tua-imagem-carta/

https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/10/02/tua-imagem-i/

https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/10/04/tua-imagem-ii/

https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/10/24/tua-imagem-iii/

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