Profeta


09 De Outubro 2012

Era cedo, ele acordou. Parecia que suas costas doíam muito, porque, acabou adormecendo em um banco. Ele estava na Rodoviária da Barra Funda. Na noite anterior, tinha chegado da cidade de Campinas. Passou alguns dias por lá, só que agora, foi enviado para esta grande cidade, São Paulo. Como não tinha onde ficar, e o dinheiro era escasso, fechou os olhos e a alma no primeiro banco que encontrou. No raiar do dia, foi para o banheiro, lavou seu rosto, escovou seus dentes. Ao lado dele, existia uma pequena mala. Aliás a única que carregava. Depois foi tomar um café preto, precisava despertar.

Após a cerimônia, caminhou até a saída. Fazia muito tempo que não passava em São Paulo. Sua face não demonstrava nada demais, um rosto comum. Uma pessoa comum no meio de seres como ele, comuns! Saiu do local, parou no primeiro ponto de ônibus. Poderíamos afirmar que estaria perdido. Mas este homem parecia não se importar com isso. Diante daquela espera, que já durava uns trinta minutos. Aquele ser não esboçava nada. Olhava constantemente para as nuvens, quando fazia isto, mostrava uma satisfação em seus olhos.

Neste instante, chegou dois homens conversando, papeavam sobre as eleições. Foi então, que aquele diálogo quebrou a estrutura do misterioso homem.

—E aí, você viu quem foi para o segundo turno? Serra e Haddad! O Celso Russomano falou besteira demais, acabou se ferrando, ficou em terceiro.

—Eu votei no Serra. Eu já conheço ele. O Haddad é novato, e mesmo com o apoio do Lula e da presidenta, não boto fé nele.

Eles discutiam com palavras normais, se preservando de opiniões mais profundas. De repente naquela passiva contenda, ele ouve uma voz suave, com um timbre agradável, soltando-se aos poucos.

—Senhores!

Em um movimento brusco, os dois homens olham para aquele rapaz misterioso. Ficam mudos, apenas ouvindo o que viria a seguir…

—Como ia dizendo, eu acabei ouvindo o que diziam, sobre os candidatos do segundo turno. Resumindo, política!

Enquanto ele se expressava, um dos homens prestava atenção. Enquanto o outro, mirava nos ponteiros do relógio.

—A política na sua formação, sempre apresentou a seguinte sentença: Uma das forças quer dominar, já a outra não quer ser dominada. Por anos, foi desta forma… Hoje em dia, peço até perdão da minha sinceridade, estamos no meio de olhos obscuros e uma consciência das trevas. Uma força quer mandar, a outra quer obedecer. Independente do vencedor, o governo dos poderosos serão os vencedores, enquanto nós, o povo, rebanho de Deus, perecemos diante da máquina do poder.

Ao seu final, ele retira um lenço do bolso, passando em sua testa. O calor encontrava-se fortíssimo.

Um dos homens consentiu com sua cabeça as palavras discorridas. Já o do seu lado resolveu fazer uma pergunta.

— Mas quem você acha que deve ganhar no segundo turno?

Limpando a garganta.

— Ao contrário do que imaginas, não direi um nome. O vencedor é aquele que sempre se alimentou de virtudes, honras e glória. Somente com a fusão desta tríade, o ganhador poderá ser confiável.

Acabou parando um ônibus e um dos homens subiu. O que ficou foi justamente aquele que dava importância para a confabulação.

— Então, é revoltante esta eleição. Espero o que ganhe, ajude a construir esta cidade.

Com um leve sorriso o homem misterioso, esboça suas próximas palavras.

— Meu generoso senhor, quando for votar, atente-se, talvez, os votos sejam feitos com sangue. O seu sangue!

Gargalhando daquelas conjunções verbais.

— Estranho o seu jeito de ver a política.

Aquele homem, que surgiu do nada e, começava a germinar construções políticas a cada discurso, se sentia muito bem, tão relaxado, que resolveu sentar-se. Ao fazer isto, assustou o homem, que com ele discursava.

— Homem, que aceitou minhas palavras. Vou finalizar nosso encontro, antes que o folego tome direções opostas, encontrando com o veneno humano.

Claro que também tem algo maior, pois, em cinco minutos seu ônibus vai chegar.

— Como você sabe?

— Eu sinto.

Diante desta premissa, o homem misterioso se levanta.

— Neste segundo turno, o real poder estarás nas mãos de quem gritar mais alto. Não de quem é mais competente. Vejo uma catástrofe. Quando formos invocar a noite, ele se recusará aparecer. Porque a escuridão teme estes dois homens. Quando acontecer, afirmo para ti, encontre o seu caminho, antes que ele te encontre e mutile sua alma.

O homem – o penetrava com seus olhos. Balbuciando em cada coisa dita. Passando os cinco minutos, um ônibus para em frente o ponto. O homem dá o sinal, parecia perturbado. Antes de subir, questiona?

— Você é um profeta?

Olhando em lado oposto, o homem misterioso fala em um timbre baixo.

— Não! Sou um humilde instrumento de Deus.

 

Contínua…

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