Tua Imagem I


Janeiro, 2012.

 

Uma tarde de sol iluminava a cidade de São Paulo. Em algum local, exatamente próximo de uma árvore, um homem estava sentado. Ele tinha acabado de parar por ali, andou muito… Sua face parecia degastada pelo cansaço. O homem olhou para frente e viu sua sombra. Resolver conversar com aquela sombra.

Faz tempo que não ouço você falar, minha sombra…

Depois de alguns instantes.

O quer que eu diga?

Sei lá, o que pensas?

Penso no que você pensa! Gosto de ti, porque habitas na escuridão. Mas, quando seus olhos estão preenchidos de luz, eles trazem descobertas e conhecimentos, que me fazem refletir.

Engraçado, uma sombra se sentindo bem com a luz?

Quando estou assim, saio do seu moralismo e de seus vícios corporais! Agora chega, repousa um pouco, espírito importunado.

Não posso por enquanto. Tenho algo para fazer aqui nesta cidade.

Ele se levantou, seguindo para um terminal de ônibus. Entra em um coletivo, pede para passar por baixo, o cobrando aceita. Iniciando sua viagem. O trânsito o faz analisar o lado de fora do veículo. No meio do cinza social, ele vê belos jardins floridos, no meio do barulho, ele houve cânticos de pássaros, no meio de pessoas isoladas e fechadas, ele sente a dor. O percurso é um martírio para aquele homem, o sofrimento por caminhar sem saber andar é tão estranho, que seu pensamento voa longe…

“Quando chegar, direi ao meu amor: – Estou trazendo o néctar dos deuses! Simplesmente para que ela sinta o fruto da felicidade plena e, após, afirmar que a vida só pode ser compreendida olhando para trás, e que só poderá ser vivida olhando para frente”.

Um tranco faz ele se perder nos seus devaneios. O engraçado é que foi bem na hora de descer. Ele desce, com sua consciência cheia de vozes. A voz do homem para o homem. Olha para a rua descida, lembrando que o caminho era o mesmo, e nada tinha – se alterado. Ao seguir no local, nota, tudo era igual antes, o único mudado era ele.

Parou em frente uma casa, tirou um papel do bolso, desdobra… Vai mais para frente da porta e janelas. Começa a gritar!

 

 

Esperei as trevas da amargura,

Ansiei pela cura.

Mas vi tua imagem…

Coberta pelo linho, e há carne nua!

 

Meu sangue pulsou com tanta força após te encontrar,

Meus pensamentos vibram com sua deidade.

E o brilho da idade,

Fez eu te amar!

 

Você me abrandou minha heroína,

Trazendo ao amanhecer, o fim da ruina…

Quem és tu, singelo ser?

A borboleta da imaginação ilustre, divina.

 

Minha essência clama a tua,

Meu amor se encandece.

De sua imagem carece,

Da pureza somente sua…

 

No jardim intocado, você é um anjo e minha sina.

Feita da seda bem fina,

Que no meio tem a verdade do amor,

Que somente sua imagem me fez fazer as rimas…

 

Após este momento, uma pessoa abre a porta, é uma mulher, que estranhamente, olha para o homem, que acabava de recitar uma poesia.

O que deseja?

Procuro Ana! Ela estás?

É minha sobrinha. Só que ela não se encontra, foi trabalhar.

Ele queria mais informações do paradeiro da mulher que ele clamou.

Desculpe a insistência em manter sua pessoa aqui fora, sei que sou um estranho, talvez um brincador de palavras… Além desta composição que ouviste, tenho que encontra – lá! Por favor, meu ajude?

Nunca o vi por aqui… Não devo – lhe dar informações alguma.

Ela volta para dentro e começa a fechar a porta. Ele vai em direção a mesma e impede que feche.

O que está fazendo! Largue a porta, ou, vou chamar a polícia!

Disse em um tom áspero.

– Espere, eu sou o fracasso do meu destino, e quero mudar isso, sua sobrinha é tudo que posso ter.

Se não largar vou fazer um escândalo.

Preparou-se para gritar ajuda!

Eu sou Juan Mathias!

Disse o homem, gritando antes dela.

Como assim, Juan? Espere, o cara que sumiu? O namorado fujão?

Prefiro dizer, que sou um viajante. Alguém que trilhou a fase do adormecimento.

Aliviando o tom de voz.

Meu Deus! Já faz um bom tempo que você sumiu.

Sim, uns 10 anos.

Aparentemente apresentando-se com uma aparência mais calma, ela abre a porta, e convida – o para ele entrar.

Bem, se diz ser quem é, gostaria de entrar?

Não posso. Preciso ver a Ana o quanto antes!

Ela não quer te ver.

Eu sei, e mesmo assim, quero ver sua sobrinha!

Ela fica pensativa por alguns minutos, depois pede licença e entra, saindo em seguida com um papel.

Aqui esta, o endereço do serviço, ela trabalha no cemitério próximo. Ela maquia defunto.

Obrigado! Não sei como agradecer.

Só lhe dei, porque ela me disse que você era romântico. Me pareceu mesmo. Vá rápido…

Juan Mathias, nem pensa duas vezes, sai correndo…

Volta para onde desceu, para o primeiro ponto, indaga se passa no local dos mortos. Por incrível, o motorista afirma a passada. Mais uma vez, pede carona!

Ele senta ansioso por rever sua amada, senta nos últimos bancos, mal sentou… O cobrador avisa que o próximo ponto era o seu. O ônibus para realmente em frente ao cemitério. Ao descer, vai em direção à administração do local. Entretanto antes de chegar à sala, ele a reconhece. Ela estava em frente o portão que levava as jazidas.

– Ana!

Ela olha para trás, olha nos olhos daquele homem, parece que viu um fantasma.

– Juan Mathias?

 

Contínua…

Para Saber mais:https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/09/30/tua-imagem-carta/

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