Centavos da Riqueza


Um ser que morre sem querer salvar a outra que desfalece…

Acordara num dia onde o sol enfraquecia seus raios, sem muito que fazer, apenas aguardara o técnico, que consertaria minha máquina de lavar. Mesmo sendo nova, pouco uso, resolveu enfim, se quebrar! Esperar, era longo do dia… Silêncio das horas, ansiava meu pensar, uma tristeza abatia meus pensamentos, há fome dentro de mim, ficava em dúvidas se era falta de alimentos, ou, de sentimentos. O que restava, seria o conforto no alimentar, digeri leite e biscoito, a vontade dissipava o tremor da referida fome.

Horas mais tarde, chega o dito cujo, desarmando a máquina e fuçando onde estaria o defeito, sobreveio de maneira sarcástica, dizendo:

— Dona Incerteza! Sinto em dizer, mas achei, uma moeda no balaio!

Perplexa diante do fato, respondi:

— Como pode isto acontecer! Jamais fui descuidada, sempre investigava as peças antes de serem lavadas…

— Mas, tudo bem! Quanto fica o conserto?

Técnico tranquilo respondeu:

– São apenas 120 reais!

O que eu poderia dizer… Tinha que entender. Acusara a mim mesma, do erro cometido? Lá se foram, de centavos para alguns reais.

Pouco tempo depois, sozinha no meu canto, onde descanso das ideias falecidas… Viajei nos contos de Um Ser que se encontra na beira da saída, com isto, via-me atormentada pelos pensamentos que faziam um rebuliço no meu interior. Necessitei de papel e caneta, os dedos começaram a despejar nas linhas vazias, palavras confortantes. Antes, porém do nada, veio a saudade de mim, menina/moça/mulher, ela gritava num eco abafado, dos tempos caídos, no lamaçal da penúria. Era uma devoradora de miséria, acalentava desgraças e acariciava maldições, e o preço veio a tona. Contudo, balbuciei laços de um mundo esquecido…

Do Francos que dali aprendeu, do “Gato Ingrato” medo esqueceu!

Fui à busca “Esperando por você agora”, relutei em acreditar, e uma vontade de expurgar de todo o tempo que o vi desgastar.

Maldito real, que o centavo padeceu enferrujar. Porém, pela ânsia do vintém.

Um acordar, um relutar, ergueu meu levantar! Sorri sem nada sentir. Dançava entre os contos de um alucinante conhecedor da riqueza, o fim de sua penúria mostrava o início da luxúria para mim, descalças do mundo sem chão, alcancei a esperança vestida de anfitrião.

Apoderei da felicidade, que por hora não tem idade, ria das rimas em forma de poesia.

Agradeço-lhe menino/homem, alojas em seu desconhecido um Cristal envelhecido.

De certo conteúdo tu és, fizestes um bem, alimentando em contos para encontrar um ponto.

Lívia Kayatty

Anúncios