Somente os francos caminham por aqui! O Garçom…


 

Após entrar pela porta, David, notou que estava tudo escuro. Para não cair, ele foi se segurando por uma parede, ela era áspera e pontiaguda. Como as palavras que tinha ouvido da mulher que amava. Havia um corredor reto, sem nenhuma curva, ou, oscilações. Caminhava sem entender o que tinha acontecido minutos atrás. João alguém era uma “cara” muito emblemático…

Colocou as mãos no bolso, para ver se tinha alguma coisa que pudesse trazer a luz aos seus olhos. Não possuía nada. Na sua mente, fazia uns cinco minutos de andança. Foi que de repente, avistou uma fresta de iluminação. O corredor teria um fim… Começou a acelerar os passos, no final, chegará a algum lugar. Existia outra porta, era maciça sua madeira, o trinco sofisticado, devido ao ornamento do mesmo. David abriu esta nova entrada.

Um forte clarão veio direto para sua visão. Na rapidez das mãos, fechou entre os dedos, os olhos. Quando aquela sensação passou, ele, viu uma sala cheia com mesas e cadeiras. No final, um balcão. Realmente parecia estar em um bar, só que ao estilo antigo. Perplexo com a cena, imaginando um sonho, ou coisa do tipo, coçou a cabeça. Exprimia pensamentos racionais, para revelar a verdade para o sentido que via as coisas. Então, uma voz vinda do balcão o assusta.

— Por favor, se sente na mesa.

Olhando para o lado do balcão, David, vê alguém levantando da parte de baixo. Era um homem sereno, alto, média de 1,90, branco, barbudo, olhos claros, cabelo crespo, dentes amarelo. Não pensando duas vezes, procurou a mesa que estava mais próximo dele e, sentou.

— Quem é você? Questiona David.

Com um pano, limpava o balcão. Parou e olhou nos olhos daquele homem, que tinha muito medo.

— Sou o garçom!

David lembrou da última fala do João Alguém. Aquele homem seria a chave para o tal líquido. Avisou do encontro anterior.

— João alguém mandou eu te procurar. Disse que teria um tal líquido – Líquido Simplicitate!

O garçom apresentou com entusiasmo o seu sorriso amarelo. Recolheu o pano, secando suas mãos. Depois ficou entrelaçando uma mão na outra.

— Sim, eu tenho a bebida da franqueza. Você deseja bebe-la?

Lembrando de tudo que ocorria em sua vida, David, nem hesitou em negar.

— Claro que eu quero. Minha vida…

Antes que continuasse, o garçom corta suas palavras.

— Eu sei de tudo. Desde sua tenra infância, até o seu limite. Uma face de homem, com o pavor de uma criança.

Surpreso com o que ouvia, o empresário, confirmou com a cabeça. O homem saiu de trás daquele balcão. Reforçando as ideias anterior de David, era alto mesmo. Seus pés estavam nus, sem nada. O garçom foi até a mesa, puxando uma cadeira.

— David, parabéns por estar aqui. Independente do que pensas, já enfrentou o crepúsculo do amanhecer, ignorando o desfalecer da noite mal vinda. Mostra a coragem que tem.

Abaixando a cabeça, ele questiona o garçom.

— Cadê a tal bebida?

Olhando para cima, com uma das mãos no coração. Responde!

— Não está comigo. Mas eu tenho isso…

Ele coloca uma das mãos no bolso e, tira um embrulho. Pondo na mesa.

— O que isto?

O coração de David acelera.

— Dentro deste pacote tem uma chave, para abrir uma portinha que esta atrás do balcão.

— O que tem por trás desta portinha?

Segurando o pacote, com tanta força, que sua mão suava e ficava vermelha. Encosta sua boca perto do David. Cochicha.

— Lá tem um jardim, e a fonte do Simplicitate!

Ouvindo atentamente.

— Entrando pelo jardim, alcançara o que tanto anseia.

Engolindo sua saliva, David, tenta entender o que esta acontecendo. Olha para o garçom, encostando os cotovelos na mesa

— Eu bebendo este líquido, significa que minha vida vai melhorar?

Se afastando do empresário.

— Melhorar? Não! Ela será outra. Vai ser, quem deverias ser.

David levanta com tudo da cadeira. Queria mudar seu destino, e as palavras pronunciadas pelo garçom, entusiasmava que quando encontrasse este jardim, tudo mudaria. A mulher de seu coração a perdoaria. Fazendo dele, o homem mais feliz do mundo.

— Eu quero esta chave logo!

O garçom fechou o semblante. Pediu para o David, sentar-se novamente, ambos não tinham terminado a conversa.

— Meu amigo, aliás, meu íntimo ser. Flagelo da minha alma, fragmento de uma face. As coisas, não são assim, simples! Você vai ter a chave, irá conhecer o jardim, beber da fonte do Simplicitate, se merecer. — Enfurecendo sua voz: Deus não deu uma boca para soltar tanta bestialidade, não lhe deu pernas, para cavalgar na estrada dos capadócios, não lhe deu mãos, para cravar a infecção do seu mal nos outros. Seu cheiro é uma banalidade para o meu olfato.

Depois deste ataque contra David. Grita insanamente… Depois do vai abaixando seus gritos.

— David!

— Sim.

— Eu não sonho mais… E você?

Assustado, estranhamente não entendia coisa nenhuma.

— Tem dias que sim, dias que não.

Ofegando bastante, o garçom, abaixa a cabeça.

— Nunca desista de sonhar. A esperança reside nos sonhos. Eu vou – lhe dar a chave. Quando responder três perguntas. Pode ser?

— Sim!

Na cabeça do David, pairava o que seriam essas perguntas! Para que finalidade serviria responde-las… Mas se fosse o pagamento para melhorar o seu presente, seria capaz de fazer. Já estava abraçando aquela loucura toda. Que mal faria, continuar…

Contínua…

Quer saber mais:

Parte I: https://regozijodoamor.wordpress.com/2012/09/20/somente-os-francos-caminham-por-aqui/

Ilustração: Toni Le fou

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