Carta – Moça das palavras noturnas


Jovem Carteiro,

Te conheci dos avessos, de trás para diante, os dedos teclam alegres e admirados, agora me vejo nesta linhas invisíveis de um computador, onde podemos de forma silenciosa jorrar palavras fresquinhas como tivesse saído de uma fornalha.

Quando te vi no face, percebia algo estranho em seu olhar, fiquei intrigada, li as cartas de anônimos e respondia, mas não tinha lido a sua apresentação, a sua lamentação despertou minha atenção de forma voraz, como podes salientar sobre o mundo da discórdia, do fracasso, das lamurias, da ilusão, percorre páginas e mais páginas, escreves incansavelmente os seus dias de amarguras, de ensaios enfadonhos, medonhos, de sonhos, interagi consigo mesmo, buscando o EU esquecido, ora adormecido, atormentado por palavras amareladas, encardidas, onde seu labirinto encontra-se às escuras, nas penúrias, nas loucuras, desperta-se a qualquer preço, grita-se ao alvoroço onde o alvorecer se faz melancólica, injusta e desnuda.

Seu mundo é um espetáculos de marionetes, vestidas de partituras musicais, abrange-se ao mundo do pecado, observa-os com eloquência e vivacidez, o abismo se torna piscina de espuma lacrimais, deleita-se e adormece ouvindo os sinais do silêncio das batidas descompensadas do coração guerreiro.

És um ser que seduz no palco das imaginações…

O admirar é exuberante em mim por ti!

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