Carta de uma Incompreendida


Eu não aguento mais!

Outro dia eu li a seguinte afirmação, que um ponto pode separar uma vida do abismo. Não sei porque, eu sou tão fraca. Quando olho no espelho, me sinto, um ser humano tão pequeno. Sou uma alma a procura de uma saída. Quero encontrar uma luz que mostre alguma verdade. Já fui imaculada demais… Gostaria de conhecer o desconhecido.

É muito pedir a felicidade? Tem momentos que eu estimaria o esquecimento. Não pedi para nascer, não pedi para viver, muito menos para sofrer! Choro… Porque noto uma dor aguda que me faz odiar a humanidade. Por várias vezes, me peguei mendigando sentimentos de “babacas” que um dia amei. Sou atormentada devido as escolhas que eu fiz. Não se faz mais justiça.

Tenho uma vida, podre e ridícula. O exalar dela é carnicento, seu chão é uma lama, que divido com seres da pior espécie. Queria poder afogar em meus desejos mais libertinos. Mas não posso! A devassidão não será permitida para mim. Vivo em uma sociedade que não me compreende. Não aguento mais conviver com minha aparência. Minha mãe sempre disse: — Minha filha, você vai crescer, casar, ter filhos, quem sabe ser melhor do que eu… Que porcaria de futuro é esse!

O meu acordar parece uma sessão de horrores, cada dia viva, é uma desgraça para meu coração. Um mundo desalmado decepou a minha vontade de brincar com a água, correr atrás do vento, sujar minhas mãos com a terra. Eu já estou morta e crucificada.

Não há o que ser feito, não há luta. Sou favorável a mortes rápidas… Cansei de esperar a minha!

Perdi minha infância, nunca encontrei minha juventude, minha idade adulta é carregada de hipocrisias. Eu sou isto! Um monte de nada.

Você disse que passou uma temporada em um beco cheio de lágrimas. Eu nunca pude sair dele. De onde venho, foi proibido sonhar. Amar…? Esqueça! Você se intitula o Carteiro das Lamentações. Eu não tenho lamentações. Fui formada no desespero, nas entranhas de uma loba faminta.

Chega de tanto sofrimento.

Por favor,

Tenho que ir…

 

 

 

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