Dona de casa


Estava outro dia olhando-me no espelho. Tenho vinte e cinco anos, com cara de quarenta! Tudo porque sou dona de casa… Não ganho nada para está profissão. Acabo ficando ferrada com tanto afazeres. Portanto, sou uma escrava!

Tenho vontade de sair na rua e gritar, quero que me ouçam com atenção, apalermados são os seres que casam. Recordo quando meu pai soube do meu namoro, jocosamente atribuiu que aquele sentimento era simplesmente uma paixão. Não liguei, acabei casando, e me ferrando. Sou dona de casa!

Na primeira crise fui chorar no colo dos meus pais…

Ele disse: – Minha filha! Este seu marido é um bundão, deixou você na solidão. Atenciosamente foram estas as palavras do meu pai. Tirando os actos burlescos que o mesmo proporciona a me ver chorando. Depois disso, voltava para casa. Diariamente meu esposo alegava que as reclamações vindas de minha pessoa eram extremas. Imaginem comigo: Olhar para o bolso, e encontrar osso. Dinheiro? Isso não tem! Ele é do tipo machista, mulher não trabalha, virá dona de casa!

Meu marido tem a pachorra de ter certas afirmações.

Você tem que se conformar. Dou-te de tudo, sem pedir nada em troca.

 Não sei como aguento isso. Além do filho para cuidar, o desgraçado tem um cachorro, como eu suporto cada coisa. Minha lista diária é lavar a louça, varrer o chão e passar roupa. Diante dessas situações ainda tenho que ser feliz. Sou dona de casa!

Para liquidar qualquer perspectiva de sucesso no relacionamento, aquele desgraçado de épocas atrás, transformou-se em um sapo brejeiro, como pode virar cachaceiro! Está vida cansa, sou humilhada, pisada, tem dias que me sinto um nada. Por que tudo isso? Por que sou dona de casa!

Sou um reflexo da nostalgia, desta forma não dá mais para viver. Vou dar um basta.

É difícil terminar meu casamento, ele não vive sem mim, vou dialogar na passiva, para ver se ele me entende. Vou mostrar meu sofrimento.

E se assim, nada mudar. Fazer o quê? Irei continuar…

Mais uma coisa digo e repito:

Sou dona de casa,

Não ganho nada.

Fico ferrada,

Pois sou uma escrava…

Anúncios